{"id":268937,"date":"2023-09-14T11:37:15","date_gmt":"2023-09-14T11:37:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=268937"},"modified":"2023-09-14T11:37:15","modified_gmt":"2023-09-14T11:37:15","slug":"opiniao-ha-ai-algum-professor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-ha-ai-algum-professor\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: H\u00e1 a\u00ed algum professor?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Jose-Linhares-de-Castro-5.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-252862 size-large\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/12\/Jose-Linhares-de-Castro-5-1024x536.jpg\" alt=\"\" width=\"650\" height=\"340\" \/><\/a><\/p>\n<p>1 &#8211; Leio na comunica\u00e7\u00e3o social: faltam 1.200 professores em Portugal. Faltam 4.000 professores na abertura do ano letivo em Fran\u00e7a. Alemanha, It\u00e1lia e Su\u00e9cia debatem- se com falta de professores. Para reduzir o deficit de professores nos Estados Unidos ser\u00e1 necess\u00e1rio recrutar cerca de 300.000 novos docentes. No Canad\u00e1 governo procura solu\u00e7\u00f5es para a falta de professores. Poderia continuar este ros\u00e1rio de dificuldades, a que j\u00e1 me referi em anos anteriores, mas fico mesmo por aqui. Sei que muitos dir\u00e3o que com a desgra\u00e7a dos outros podem eles bem, que o fundamental \u00e9 resolver os problemas da casa.<br \/>\n2 &#8211; Recordo que em abril \u00faltimo, a Unesco alertava os governos para a crise global de falta de professores. A ag\u00eancia para a educa\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas alertou para a necessidade de se encontrarem 69 milh\u00f5es de professores no mundo. Sem professores qualificados n\u00e3o ser\u00e1 poss\u00edvel atingir a meta de um ensino b\u00e1sico universal at\u00e9 2030. Como n\u00e3o basta chutar as pedras para os docentes qualificados aparecerem e porque os erros cometidos no passado n\u00e3o t\u00eam remiss\u00e3o, apontem se as causas e busquem se as solu\u00e7\u00f5es.<br \/>\n3 &#8211; As raz\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o \u00fanicas nem as mesmas em todos os pa\u00edses. Uma dessas raz\u00f5es \u00e9 claramente universal: as m\u00e1s pol\u00edticas na forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos quando toda a gente acreditou (eu me confesso\u2026) que a diminui\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, logo a diminui\u00e7\u00e3o de alunos escolarizados, iria corresponder a salas dos professores menos ocupadas. Direi que universal \u00e9 tamb\u00e9m a perda de prest\u00edgio social da profiss\u00e3o, os baixos sal\u00e1rios, as turmas dif\u00edceis, o clima de agressividade em muitos estabelecimentos de ensino, as cargas curriculares elevadas, falta de outros profissionais que acompanhem os estudantes em \u00e1reas como a psicologia ou o acompanhamento social, as tarefa administrativas de que os professores se viram titulares. Acrescento as reformas, com milhares na lista de espera para deixarem a atividade. Entre n\u00f3s, nos \u00faltimos anos, na abertura dos cursos do ensino superior, as vagas para a forma\u00e7\u00e3o de professores foram praticamente todas preenchidas, o que \u00e9 um \u00f3timo sintoma. Mas com efeitos a prazo! Urge que o governo (este ou outro) fa\u00e7a o seu trabalho de casa, acompanhe este movimento de aparente interesse pela profiss\u00e3o e crie condi\u00e7\u00f5es para fixar em toda a rede escolar o n\u00famero necess\u00e1rio de profissionais. Ouvi esta semana o ministro Jo\u00e3o Costa dizer que pretende o governo apoiar os docentes deslocados com a instala\u00e7\u00e3o em casas com rendas especiais. \u00c9 pouco, mas \u00e9 alguma coisa e algo que nenhum ministro tinha tentado. Vamos \u00e0 contagem integral do tempo de servi\u00e7o, senhor primeiro-ministro. Assim seja!<br \/>\n4 &#8211; Mas, para j\u00e1 e nos anos mais pr\u00f3ximos t\u00eam de ser encontradas solu\u00e7\u00f5es que n\u00e3o deixem milhares de alunos a gozarem de \u201cferiados\u201d. Illo tempore, muitos docentes iniciaram o seu trabalho possuindo o bacharelato. Mais tarde conclu\u00edram a licenciatura, fizeram as cinco disciplinas de ci\u00eancias pedag\u00f3gicas que eram obrigat\u00f3rias para poderem entrar no est\u00e1gio de dois ou de um ano, conforme a \u00e9poca em que o realizaram. Os est\u00e1gios pedag\u00f3gicos eram realizados ao fim de v\u00e1rios anos de exerc\u00edcio da profiss\u00e3o e n\u00e3o h\u00e1 not\u00edcia de que tenham os alunos ficado menos bem preparados por esse facto. Eis porque \u00e9 tempo de chamar \u00e0 doc\u00eancia pessoas com habilita\u00e7\u00e3o acad\u00e9mica adequada \u00e0s disciplinas que ir\u00e3o dar, garantindo que o est\u00e1gio pedag\u00f3gico com qualidade vir\u00e1 depois, mas num curto lapso de tempo. Esta forma de encarar o momento em que a falta de professores em Portugal \u00e9 not\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 mero revivalismo da minha parte, \u00e9 t\u00e3o-s\u00f3 a convic\u00e7\u00e3o de que deve ser esse o caminho a seguir nos tempos que correm.<br \/>\n5 &#8211; E aqui chegamos n\u00f3s ao magno problema dos concursos para coloca\u00e7\u00e3o de professores. O concurso nacional foi uma pe\u00e7a essencial para terminar com algum amiguismo que os diretores usavam em tempos que j\u00e1 v\u00e3o longe. O pr\u00f3prio facto de ter aumentado a escolaridade obrigat\u00f3ria, esticada at\u00e9 ao 12\u00ba ano, representou um aumento significativo de alunos no sistema, com as escolas consequentemente cheias e a natural necessidade de professores. Era, pois, poss\u00edvel que as desloca\u00e7\u00f5es de docentes fossem relativamente curtas e muitos ficassem perto de casa. N\u00e3o servindo de exemplo o meu caso, as desloca\u00e7\u00f5es mais longas que tive de fazer foram para a Marinha Grande( 84 quil\u00f3metro de ida e outros tantos de volta) e para Estarreja( 80 quil\u00f3metros de ida e outros tantos de volta), sempre sem autoestradas que s\u00f3 se vislumbravam ainda. Entretanto os anos correram, muita coisa mudou na profiss\u00e3o e o atual estado da arte \u00e9 insatisfat\u00f3rio para os alunos e para os professores. Devendo a escola ter a fun\u00e7\u00e3o de elevador social, o que aconteceu nos ano da pandemia e nos subsequentes traz como principais prejudicados os alunos no seu todo, mas sobretudo os que s\u00e3o origin\u00e1rios dos estratos sociais e econ\u00f3micos com mais car\u00eancias. Enquanto alguns t\u00eam sempre por perto recursos que custam dinheiro, mas colmatam dificuldades, outros h\u00e1 para quem Escola P\u00fablica \u00e9 o \u00fanico recurso ao seu alcance. A Escola P\u00fablica tem de merecer a confian\u00e7a que lhe \u00e9 devida e urge ser defendida e estar aberta a todos, mas mesmo a todos. A Escola P\u00fablica n\u00e3o pode ser posta em causa, seja por que raz\u00f5es forem, sob pena de deixar de cumprir o que lhe \u00e9 pedido pela sociedade.<br \/>\n6 &#8211; Chegaram os caloiros! Eles a\u00ed est\u00e3o, atravancando ruas ,\u201dapalpando\u201d a cidade, correndo para a compra do traje acad\u00e9mico que nos primeiros tempos lhe provoca uma atrapalha\u00e7\u00e3o para perceberem como se deve usar a capa\u2026 Boa sorte para todos.<\/p>\n<p><em>Pode ler a opini\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o impressa e digital do DI\u00c1RIO AS BEIRAS<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o do professor aposentado, Linhares de Castro<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":252862,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1068,1171,2684],"class_list":["post-268937","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-concurso","tag-linhares-de-castro","tag-professor"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268937","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=268937"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/268937\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268937"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=268937"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=268937"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}