{"id":269752,"date":"2023-10-04T08:46:05","date_gmt":"2023-10-04T08:46:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=269752"},"modified":"2023-10-04T08:46:05","modified_gmt":"2023-10-04T08:46:05","slug":"opiniao-a-doenca-holandesa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-a-doenca-holandesa\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: A Doen\u00e7a Holandesa"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Quaresma.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-249722\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/Joao-Quaresma.jpg\" alt=\"\" width=\"2500\" height=\"1308\" \/><\/a><\/p>\n<p>A Doen\u00e7a Holandesa, um fen\u00f3meno econ\u00f3mico resultante da exporta\u00e7\u00e3o em larga escala de produtos b\u00e1sicos como petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, pode ter implica\u00e7\u00f5es adversas para setores como a manufatura e a agricultura, tornando-os menos competitivos a n\u00edvel global. Este termo foi cunhado na d\u00e9cada de 1970, quando a Holanda descobriu grandes reservas de g\u00e1s natural, levando a uma valoriza\u00e7\u00e3o significativa da sua moeda local e desafios para outras ind\u00fastrias. Com o tempo, o crescimento do mercado de g\u00e1s e a redu\u00e7\u00e3o da economia de exporta\u00e7\u00e3o levaram os Pa\u00edses Baixos a enfrentar uma recess\u00e3o.<br \/>\nEsta din\u00e2mica n\u00e3o \u00e9 exclusiva dos Pa\u00edses Baixos e tem sido observada em diversas na\u00e7\u00f5es em desenvolvimento, como a Venezuela (petr\u00f3leo), Angola (diamantes, petr\u00f3leo) e a Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo (diamantes).<br \/>\nNo m\u00eas passado, a jornalista do New York Times, Patricia Cohen, apresentou um interessant\u00edssimo artigo intitulado \u201cCrise e resgate: o ciclo tortuoso que aflige na\u00e7\u00f5es endividadas\u201d. Uma an\u00e1lise profunda que aborda a persistente crise econ\u00f3mica enfrentada pela maioria das na\u00e7\u00f5es africanas. No Gana, pa\u00eds da \u00c1frica Ocidental, que em 2022 recorreu pela 17\u00aa vez ao Fundo Monet\u00e1rio Internacional (FMI), a crise foi exacerbada por diversos fatores e agudizada pela pandemia de Covid-19 e pela guerra na Ucr\u00e2nia. Segundo Stephane Roudet, chefe da miss\u00e3o do FMI no Gana, a atual crise \u00e9 muito mais profunda do que as experimentadas no passado.<br \/>\nDiante de tantas interven\u00e7\u00f5es do FMI nas \u00faltimas quatro d\u00e9cadas, surge a quest\u00e3o: o que torna esta interven\u00e7\u00e3o diferente das anteriores?<br \/>\nO volume da d\u00edvida dos pa\u00edses em desenvolvimento, agora estimado em 200 mil milh\u00f5es de d\u00f3lares, demonstra que o modelo atual n\u00e3o \u00e9 sustent\u00e1vel. Pa\u00edses como o Gana, \u00e0 semelhan\u00e7a de outros em desenvolvimento, contra\u00edram empr\u00e9stimos com baixas taxas de juro para melhorar sistemas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e infraestrutura. Contudo, o aumento da infla\u00e7\u00e3o levou os bancos ocidentais a elevar as taxas de juro de refer\u00eancia, aumentado assim o valor da divida para valores incomport\u00e1veis, resultando na incapacidade desses pa\u00edses em cumprir com os pagamentos. Al\u00e9m disso, o aumento dos pre\u00e7os dos bens importados torna insustent\u00e1vel a situa\u00e7\u00e3o tanto para os governos quanto para as suas popula\u00e7\u00f5es.<br \/>\n\u00c9 essencial tamb\u00e9m referir que os \u00edndices significativos de corrup\u00e7\u00e3o e a m\u00e1 administra\u00e7\u00e3o governamental s\u00e3o elementos fundamentais neste ciclo persistente que afeta profundamente os pa\u00edses subdesenvolvidos.<br \/>\nN\u00e3o ser\u00e1, por certo, uma tarefa f\u00e1cil mas torna-se imperativo que as institui\u00e7\u00f5es globais se empenhem em encontrar um modelo mais equitativo e, sobretudo, sustent\u00e1vel. Isso permitiria aos chamados pa\u00edses em desenvolvimento livrarem-se desta maldi\u00e7\u00e3o holandesa que tanto os assola.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Jo\u00e3o Quaresma<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":249722,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1092,100],"class_list":["post-269752","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-joao-quaresma","tag-opiniao"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269752","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269752"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269752\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269752"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269752"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269752"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}