{"id":269988,"date":"2023-10-11T10:07:04","date_gmt":"2023-10-11T10:07:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.asbeiras.pt\/?p=269988"},"modified":"2023-10-11T10:07:04","modified_gmt":"2023-10-11T10:07:04","slug":"opiniao-unidades-locais-de-saude-a-grande-reforma-do-sns","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/opiniao-unidades-locais-de-saude-a-grande-reforma-do-sns\/","title":{"rendered":"Opini\u00e3o: Unidades Locais de Sa\u00fade  &#8211; a grande reforma do SNS"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-251136\" src=\"https:\/\/www.asbeiras.pt\/wp-content\/uploads\/2022\/11\/MANUELANTUNES-opi-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1200\" height=\"628\" \/><\/a><\/p>\n<p>A reparti\u00e7\u00e3o do Pa\u00eds em cerca de 40 Unidades Locais de Sa\u00fade (ULS), agregando todos os centros de sa\u00fade e hospitais, que o Diretor Executivo do Servi\u00e7o Nacional de Sa\u00fade (SNS), Prof. Fernando de Ara\u00fajo, anunciou para o in\u00edcio de 2024, ter\u00e1, hipoteticamente, a virtude de melhor integrar os cuidados prim\u00e1rios de sa\u00fade com os cuidados terci\u00e1rios, deste modo contribuindo para o aproveitamento de todas as potencialidades do sistema. Um exemplo bem conhecido desta tipologia, \u00e9 a ULS de Matosinhos, criada h\u00e1 quase 25 anos pela Dra Maria de Bel\u00e9m. Outras 7 ULS foram criadas entretanto, mas nenhuma teve a mesma visibilidade. S\u00e3o elas as ULS do Norte Alentejano (em 2007 ), Guarda, Baixo Alentejo e Alto Minho ( 2008 ), Castelo Branco ( 2010 ), Nordeste ( 2011 ) e Litoral Alentejano ( 2012 ), quase todas em territ\u00f3rio interior, de baixa densidade populacional.<br \/>\nDe repente, vai tudo ser assim! O Prof. Fernando Ara\u00fajo afirmou que \u201cesta \u00e9 a grande reforma do SNS, que vai abranger todo o Pa\u00eds e vai alterar de forma profunda, do ponto de vista da organiza\u00e7\u00e3o, os cuidados de sa\u00fade\u201d. Segundo o portal Portugal.gov.pt, \u201co novo modelo de organiza\u00e7\u00e3o do SNS vai simplificar os processos e melhorar a articula\u00e7\u00e3o entre equipas de profissionais de sa\u00fade, sempre com o foco na experi\u00eancia e nos percursos entre os diferentes n\u00edveis de cuidados, e tornar a gest\u00e3o mais aut\u00f3noma. E vai aumentar a participa\u00e7\u00e3o dos cidad\u00e3os, das comunidades, dos profissionais e das autarquias na defini\u00e7\u00e3o, acompanhamento e avalia\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de sa\u00fade, maximizando assim o acesso e a efici\u00eancia do SNS\u201d. Que bonito!<br \/>\nMas fica por se saber que medidas ser\u00e3o tomadas para enquadrar no sistema de gest\u00e3o cada um dos componentes destas unidades, os v\u00e1rios centros de sa\u00fade e o respetivo hospital. Se o sistema atual n\u00e3o for alterado, a confus\u00e3o pode ser ainda maior. A Associa\u00e7\u00e3o Nacional das Unidades de Sa\u00fade Familiar ripostou ao an\u00fancio dizendo que \u201cat\u00e9 agora n\u00e3o \u00e9 conhecido um estudo que prove que a integra\u00e7\u00e3o vertical de cuidados de sa\u00fade prevista nas ULS resulte na sua finalidade e cumprimento da miss\u00e3o de um servi\u00e7o p\u00fablico: melhorar os cuidados de sa\u00fade\u201d.<br \/>\nDe facto, um estudo recente comparou dados referentes ao acesso aos cuidados de sa\u00fade, qualidade dos cuidados, efici\u00eancia produtiva e desempenho econ\u00f3mico-financeiro nas cinco ULS que se localizam na zona norte e interior de Portugal, e concluiu que, \u201cpela an\u00e1lise dos dados da ACSS (Administra\u00e7\u00e3o Central do Sistema de Sa\u00fade) e da ERS (Entidade Reguladora da Sa\u00fade), parece haver evid\u00eancia de que o modelo organizativo em ULS n\u00e3o traduz na pr\u00e1tica ganhos econ\u00f3micos e em sa\u00fade\u201d.<br \/>\nJ\u00e1 em 2015, a ERS tinha realizado um outro estudo sobre o desempenho das ULS, entre 2011 e 2013, visando avaliar aqueles mesmos padr\u00f5es. Este estudo concluiu que tempo m\u00e9dio de internamento, n\u00famero de cirurgias em ambulat\u00f3rio e qualidade dos cuidados eram piores nas ULS em compara\u00e7\u00e3o com os hospitais n\u00e3o integrados em ULS. Parecia, ainda, haver evid\u00eancia de que \u201cque o modelo organizativo em ULS n\u00e3o traduz na pr\u00e1tica ganhos econ\u00f3micos e em sa\u00fade\u201d.<br \/>\nA Comunidade Intermunicipal (CIM) do Douro, que re\u00fane 19 munic\u00edpios dos distritos de Bragan\u00e7a, Guarda, Vila Real e Viseu, afirmou que \u201cnas nossas costas o Governo levou por diante uma reforma que p\u00f5e em causa os cuidados de sa\u00fade prim\u00e1rios no Interior do pa\u00eds, neste caso, na regi\u00e3o do Douro\u201d. A CIM defendeu que o modelo de ULS \u201ctrar\u00e1 ainda maior desigualdade no acesso aos cuidados de sa\u00fade na regi\u00e3o do Douro e poder\u00e1 comprometer o futuro dos centros de sa\u00fade nos concelhos\u201d. E, por todo o lado, estamos a assistir a manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas dos cidad\u00e3os que rejeitam a associa\u00e7\u00e3o dos seus centros de sa\u00fade com as ULS espec\u00edficas em que foram integrados.<br \/>\nFinalmente, o Baston\u00e1rio da Ordem dos M\u00e9dicos, considerou que \u201cdev\u00edamos ter dados suficientes que nos possam garantir que transformar esses hospitais em ULS traz benef\u00edcios para o Pa\u00eds (&#8230;) \u00c9 uma decis\u00e3o que devia ter sido mais bem pensada e devia ter havido uma avalia\u00e7\u00e3o por entidades independentes\u201d.<br \/>\nReconhe\u00e7o que nem sempre tenho estado de acordo com algumas destas entidades, mas, neste caso, penso que os poucos estudos at\u00e9 agora realizados deveriam suscitar alguma cautela quanto \u00e0 generaliza\u00e7\u00e3o do modelo. Passar \u2018de oito a oitenta\u2019, neste caso quarenta, parece-me um \u2018passo maior do que a perna\u2019. Bem sei que tenho insistentemente reclamado a urg\u00eancia da renova\u00e7\u00e3o do SNS, mas, aqui, parece-me, valeria a pena aperfei\u00e7oar o modelo numas quantas ULS, antes de envolv\u00ea-las todas!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Opini\u00e3o de Manuel Antunes<\/p>\n","protected":false},"author":8,"featured_media":251136,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[31,5],"tags":[1406,100,35],"class_list":["post-269988","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral","category-opiniao","tag-manuel-antunes","tag-opiniao","tag-saudedb"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269988","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/users\/8"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=269988"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/269988\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=269988"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=269988"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/critecnow.com\/diariobeiras\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=269988"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}