Alexandre Silva: “Para o ISCAC não será difícil fazer a migração para os doutoramentos”
Está prestes a concluir o seu primeiro ano de mandato. Quais foram as principais prioridades neste período?
Foi um ano dedicado ao diagnóstico. Tivemos que tomar em mãos os cursos da escola, tendo como prioridade os dois cursos que lançamos ainda em 2022 – Ciência de Dados e Assessoria de Direção, que aguardam a acreditação pela A3ES – Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior.
Temos estado a fazer um acompanhamento de todos os outros cursos e temos 17 cursos em avaliação. Era uma das bandeiras da nossa candidatura, e é importante que se faça a adequação dos nossos planos curriculares a uma nova realidade, à transição digital, à economia digital. Portanto, temos que migrar todos os cursos para conteúdos que já envolvam tecnologias digitais, datacenters, e-commerce, etc, com a noção clara que qualquer profissional que saia para o mercado tem de ter capacidade para saber lidar com esta transição digital. Com a pandemia, o trabalho remoto passou a ser aceite e até desejável em alguns casos.
Nesta altura, quais são as oportunidades que o ISCAC não pode desperdiçar?
Como sabe, foi recentemente aprovada a passagem dos institutos politécnicos a universidades politécnicas e a outorga de doutoramentos em ambiente empresarial. Segundo a FCT, e pelas palavras da ministra, metade dos doutoramentos serão feitos em ambiente não académico. Nós não queremos perder essa oportunidade, até porque é uma prática que já temos, a maior parte dos nossos mestrados têm estágios e projetos em empresa, além da dissertação. Todos os cursos têm uma componente de estágio e de ligação empresarial. Para nós, não será difícil fazer a migração para os doutoramentos.
Portanto, o ISCAC está preparado para iniciar esse processo dos doutoramentos?
Um doutoramento é um curso conferente de grau, que precisa de ser acreditado pela A3ES. Estamos preparados para fazer uma proposta de um plano curricular para grau de doutor, e penso que a poderemos entregar em 2024. Já temos muitos protocolos com empresas, e quando saiu a lei fomos contactados por parceiros e empresas, no sentido de termos projetos para lá desenvolver.
Um dos objetivos anunciados na sua candidatura foi a certificação dos cursos?
Sim, a certificação é uma garantia de qualidade do nosso profissional. Temos tentado por via de vários protocolos assegurar a ligação a empresas, o que dá uma garantia de qualidade do próprio curso e mais oportunidades para os alunos. Por exemplo, no caso do curso de Gestão de Empresas, estamos a fazer uma dupla titulação com uma universidade do Brasil, isto é, os alunos brasileiros e os portugueses podem acabar o curso na outra universidade e ficam com a dupla titulação.
Outra aposta era uma melhor qualificação do corpo docente?
Sim. Uma grande parte do corpo docente já é doutorado. Mas temos um contacto com o centro de investigação do Porto para abrir um polo no ISCAC, e contamos fazê-lo até ao verão. Tentamos que todos os docentes estejam integrados ou associados a centros de investigação, e que haja uma produção consistente e coordenada da investigação científica. Porque o que acontecia é que a nossa produção científica estava muito dispersa por vários centros, pois as pessoas ficavam muito ligadas ao sítio onde tiravam o doutoramento. Queremos concentrar essa produção em três ou quatro linhas fundamentais, criando a tal base para o doutoramento.
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