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Dois movimentos cívicos da Figueira da Foz defendem causas sempre atuais

07 de às 11h44
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DB/Foto de Jot’Alves

Os movimentos cívicos, orgânicos ou inorgânicos, são uma autêntica dor de cabeça para partidos políticos e sindicatos, organizações corporativas e decisores.
Uns mais radicais, outros mais moderados, os grupos de cidadãos que lutam por causas, não raras vezes, têm de ultrapassar diversos e árduos obstáculos, umas vezes colocados pelos que se sentem ultrapassados, outras pela “simples” ousadia de inovarem na agenda e na forma como a revindicam. Alguns dão por concluída a sua carreira quando chegam à meta e outros ficam pelo caminho, mas também há aqueles que perduram no tempo.
Na Figueira da Foz, há vários movimentos cívicos, mas dois mantêm-se firmes há vários anos, porque as suas causas não têm prazo de validade e a determinação com que as defendem serve de combustível para continuarem em frente. Estamos a falar do Parque Verde e do SOS Cabedelo, os mais consistentes, longevos e ativos.
O Parque Verde foi fundado por um grupo de jovens figueirenses que colocou na agenda local a defesa do ambiente como elemento essencial à qualidade de vida de uma cidade com serra, rio, mar e, sobretudo, gente que quer libertar-se do betão e do asfalto sempre que estes podem ser substituídos pela natureza.

Duas décadas de ativismo

Os fundadores do Parque Verde eram porta-vozes de uma geração que (já) alterava para os problemas ambientais sobre os quais, hoje, toda a gente a fala. Deviam ter-lhe dado ouvidos mais cedo, evitando-se decisões urbanísticas e de ordenamento do território cujo legado não abona a favor dos decisores.
Já lá vão quase 30 anos e as causas que levaram à fundação do movimento cívico continuam atuais. Isto apesar da mudança de mentalidades dos decisores, para qual participaram como agentes ativos. Todavia, a luta continua, porque tem de haver alguém que fale pela natureza antes desta se fazer ouvir de forma ruidosa e impiedosa.
O Parque Verde, em suma, alertou para os perigos da mentalidade prevalecente na ápoca de que os humanos podem moldar a natureza negligenciando as consequências, pondo em causa o frágil equilíbrio do ecossistema ao qual também pertencem, mas que não lhes pertence.
Sobretudo, o Parque Verde vem alertando para questões de segurança, já que a excessiva impermeabilização dos solos e a interferência nos percursos naturais dos cursos de água, bem como a desarborização, contribuem para cheias, inundações e outros efeitos nocivos para uma relação entre os humanos e a natureza, que se quer harmoniosa, na medida do possível.

A onda que colocou o mar na agenda

O SOS Cabedelo nasceu da necessidade de se defender a onda do Cabedelo perante o prolongamento do molhe Norte. Os seus fundadores não são “meros” surfistas que se sentiram preocupados com o seu “santuário”, situado no Sul da cidade da Figueira da Foz.
Os elementos do SOS Cabedelo são pessoas com consciência ambiental e com conhecimentos técnicos, que, entretanto, foram aprimorando, e empíricos que sabem do que falam. Por vezes, têm de falar mais alto para serem ouvidos. Mas o mais importante é serem escutados, o que têm vindo a conseguir.
Foi graças à ação deste movimento cívico figueirense que o sistema mecânico fixo de transposição de areias (bypass), de Norte para Sul da barra, foi inserido nos estudos realizados sobre a proteção da costa da Figueira da Foz e levou a Agência Portuguesa do Ambiente a considerar esta como a mais eficaz e rentável medida para combater a erosão costeira neste concelho.
Foram mais de 10 anos de luta em prol do bypass, mas o SOS Cabedelo, com a sua perseverança, conseguiu convencer os mais céticos. Contudo, é ver para crer. Por isso, o movimento cívico que agitou as águas e levantou ondas, no concelho e no país, não desiste de reclamar que se olha para o mar com continuidade territorial, porque o mar é a sua terra, a terra de todos.

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