“É necessário dar sentido (ao ensino) da matemática”
Partilhar, refletir e discutir as melhores práticas pedagógicas e investigação no âmbito do ensino e da aprendizagem da matemática nos primeiros anos é o principal objetivo da 25.ª edição do “Encontro Matemática nos Primeiros Anos: EMPA 2022”. A iniciativa decorre até hoje na Escola Superior de Educação de Coimbra (ESEC) e pertence à Associação de Professores de Matemática (APM), com a colaboração da Associação de Profissionais de Educação de Infância.
Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, o presidente da APM, Joaquim Pinto, referiu que é necessário começar “a dar sentido à Matemática”. O docente deu o exemplo da discussão recente em torno do facto do número 0 (zero) ser, ou não, um número natural. “O novo programa de Matemática diz que sim. E eu acho que faz todo o sentido. Veja-se o caso de uma macieira: ela tem uma, duas ou três maçãs. Mas se ela ficar sem maçãs, quantas lá ficam? Zero. É, ou não é, natural que o zero seja considerado um número natural? Claro que sim. Portanto, é dando este sentido à disciplina que as crianças e os jovens podem passar a gostar (mais) de matemática”, afirmou.
Ao longo destes dois dias, Joaquim Pinto referiu que serão apresentadas boas práticas de ensino da disciplina desde o pré-escolar até ao 2.º ciclo. A robótica educativa e a utilização de outros recursos tecnológicos, as conexões na Matemática, as representações matemáticas e a aprendizagem colaborativa são algumas das (boas) propostas que poderão ajudar a dar a volta à atual situação.
“É preciso dar a volta à forma como estão a ser dadas (atualmente) as aulas de matemática”, disse o presidente da APM. Apesar de questionado sobre quem é o “principal culpado” da atual situação, Joaquim Pinto não quis dirigir o foco para os docentes e, principalmente, para os professores do pré-escolar ou do 1.º ciclo. Mas frisou que esta disciplina “é como uma casa, tem que começar a ser construída pelas fundações. Quando se chega ao 10.º ano “coxo”, dificilmente se consegue recuperar. É com iniciativas como esta que nós não queremos que isso aconteça”.


