Em Dia de Todos os Santos cumpriu-se o ritual
São 11H00 e o movimento no Cemitério da Conchada não é o habitual do dia-a-dia. Ontem foi Dia de Todos os Santos e o entra e sai de pessoas neste espaço aumenta, devido ao facto de várias dezenas de pessoas visitarem os familiares que já faleceram. Cumpre-se o ritual de limpar e enfeitar as campas e as floristas aproveitam para fazer negócio.
À chegada, as pessoas carregam flores, velas ou outros adereços alusivos a esta quadra. Quem não traz consigo, pode comprar à porta.
Seis comerciantes expõem os produtos numa banca improvisada, apoiados pelas carrinhas que os transportaram até ali. Durante o dia servem de armazém. Ao longo da manhã vão fazendo alguns arranjos de flores encomendadas e para quem quiser comprar na hora.
Maria Adelaide vive perto do cemitério e veio visitar o filho que “já partiu”. “Venho cumprir o ritual. É algo simbólico ”.
Se existe a tradição, de neste dia, as pessoas deslocarem-se até ao cemitério para visitar os seus familiares, há também a tradição dos comerciantes virem para a porta do Cemitério da Conchada vender flores.
José Manuel, comerciante da florista “Girassol”, com sede na Pedrulha, refere que “venho para cá há 24 anos. As pessoas já sabem onde devem colocar a sua banca e não há atropelos entre os comerciantes”.
Também Rafaela Oliveira, nora de Cidália Cortez, fazem há 23 anos, deste dia um negócio. “Todos os anos tiro férias nesta altura para vir para aqui vender”, contou Cidália Cortez dizendo que “este ano não nos podemos queixar do negócio pois as pessoas têm comprado”.
Negócio está semelhante aos anos anteriores
“Tivemos de aumentar os preços em alguns produtos em 20%, outros aumentámos um pouco mais”, disse Rafaela Oliveira.
No caso de José Manuel, o produtor admite que tentou não aumentar os preços. “Tirando uma referência ou outra os preços são os mesmos do ano passado”.
A grande maioria dos comerciantes já faz este ritual há muitos anos como é o caso de José Manuel ou de Cidália Cortez e Rafaela Oliveira mas há quem seja mais velho mas que tenha começado há menos tempo.
Maria Luísa Rodrigues tem 76 anos e apenas há quatro que, praticamente todos os dias, vem para a porta do cemitério da Conchada vender flores.
“Como venho para aqui quase todos os dias as pessoas já me conhecem e acabam por vir ter comigo para comprar os arranjos”, disse.


