“Este cinema tem lugar para todos”
O Centro de Formação Profissional para o Artesanato e Património (CEARTE), em conjunto com o Festival Caminhos do Cinema Português, está a realizar o primeiro curso de Produção e Realização de Audiovisual e Cinema, em Coimbra. Tiago Cravidão, formador, esclareceu que o objetivo é claro.
“Em Coimbra nunca houve uma formação prática de cinema. Nós queremos que este cinema, o cinema artesanal, seja para todos. Daí esta formação. Não podemos, nem queremos excluir ninguém. Não pode haver um sistema de pré-seleção”, frisou.
O curso conta com 14 formandos que, ao longo de 275 horas, aprenderão a escrever um argumento, a planificar a história, a realizar as filmagens e, posteriormente, a pós-produção e edição do filme.
“O nosso objetivo é dotar os nossos formandos de competências técnicas, teóricas e práticas do cinema. Tem-se tentado cultivar a ideia de génio no cinema, mas há outras formas de se fazer um filme. Nós quisemos mostrar que todos são capazes e úteis. Durante a formação, todos os formandos passaram pelos vários cargos, desde argumentista, a técnico de som ou de luzes”, disse.
Cinema de comunidade
Os conceitos de comunidade e união têm estado sempre patentes nesta formação. Inês Lacerda, uma das formandas, exemplificou da melhor maneira essas premissas.
“A elaboração de um filme é como uma orquestra. Todos têm que estar afinados e têm todos a mesma responsabilidade. É fulcral percebermos que todos nós temos uma importância extrema para que tudo se consiga fazer”, assumiu.
O formador lançou esta semente durante todo o curso, não tendo dúvidas que será proveitosa.
“No cinema tem que haver uma ética de trabalho. Temos que conseguir trabalhar em comunidade, nem que seja em pequenos gestos, para que todos se sintam realizados e parte integrante deste projeto”, salientou.
Carlos Gomes, outro dos 14 formandos, não teve qualquer dúvida em descrever qual a maior virtude que aprendeu nesta formação.
“Tudo o que aprendemos em termos teóricos e técnicos foi essencial, mas o que percebi mesmo que era fulcral para o cinema é a capacidade de lidar com o imprevisto. Muitas vezes o que planeamos sai ao contrário. A equipa tem que estar toda disposta a adaptar-se e resolver as dificuldades que surgem da mesma maneira”, disse.
Dois filmes no forno sobre olaria e têxtil
A decorrer nas instalações do CEARTE, o curso de Produção e Realização de Audiovisual e Cinema está a elaborar dois filmes, um sobre a olaria e outro sobre o têxtil. A data do lançamento público dos filmes, no entanto, ainda não está pensada.
No entanto, Tiago Cravidão reiterou que a própria divulgação dos filmes vai decorrer da melhor forma.
“Em cinema como este, que todos estão com o mesmo grau de envolvimento, a própria divulgação dos filmes acaba por correr da melhor maneira e aproximamos o cinema da comunidade”, salientou.


