Exposição lembra “Primaveras estudantis”
O ministro da Cultura enalteceu, no sábado, a ação reivindicativa dos estudantes antes e depois do 25 de Abril de 1974, e que abriu caminho para o regresso da democracia após 48 anos de ditadura.
Pedro Adão Silva esteve na inauguração da exposição “Primaveras estudantis: da crise de 1962 ao 25 de Abril”, no Convento São Francisco, depois de ter estado patente no Museu de História Natural da Universidade de Lisboa. A mostra – recorde-se – foi inaugurada a 24 de março, dia em que se iniciaram as comemorações oficiais dos 50 anos do 25 de Abril.
“É uma data simbólica porque foi o dia em que que Portugal passou a ter mais tempo de democracia do que ditadura, mas também porque naquele dia cumpriram-se os 60 anos da crise académica de 1962 em Lisboa, Dia do Estudante”.
“Isto sugere a lógica destas comemorações. O movimento estudantil foi o processo que criou as condições para o golpe militar, assente na erosão dos pilares daquilo que era o regime: a universidade e a Igreja”, afirmou o governante.
Na sessão, José Manuel Silva destacou o papel da academia de Coimbra no processo que conduziu derrubamento do fascismo pelo Movimento das Forças Armadas.
“Coimbra foi uma cidade que participou com intensidade nos movimentos estudantis e que deu um enorme contributo para a liberdade, para a democracia, para a palavra do povo – algo que nunca podemos dar por adquirido”, advertiu o presidente da Câmara.
Organizada pela Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, a mostra pode ser vista em vários espaços do Convento São Francisco, até ao 25 de Abril de 2023.
Através de uma detalhada cronologia dos acontecimentos, “Primaveras Estudantis: da crise de 1962 ao 25 de Abril” integra filmes e entrevistas, textos, fotografias e autocolantes — documentos com elevado valor histórico, alguns dos quais inéditos, recolhidos em coleções privadas e arquivos pessoais.
Coordenada por Álvaro Garrido, professor de História da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e com design expositivo de António Viana, a exposição inclui ainda um mural de homenagem aos estudantes presos e expulsos durante a ditadura.


