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Fátima foi o primeiro de 1579 transplantes hepáticos em Coimbra

27 de às 09h42
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DR/Ana Catarina Ferreira

Emocionada, Fátima, que tinha ao seu lado Linhares Furtado, o cirurgião que a operou há 30 anos, lembrou aquele dia em que deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), “com pouca ou nenhuma esperança”. A 24 de outubro de 1992, a “luz ao fundo do túnel foi- -se apagando”, mas, dois dias depois, a 26, “reacendeu-se”, graças “à coragem e determinação de uma equipa fantástica” que, na altura, estava a iniciar a transplantação hepática neste hospital de Coimbra, disse Fátima, que, com 30 anos, foi a primeira transplantada hepática com sucesso nos HUC. “Devo a minha vida a toda a equipa médica, à sua persistência, coragem, abnegação e amor ao próximo”, agradeceu, emocionada, Fátima Ferreira, que tem agora 60 anos.
Emoção e reconhecimento foram justamente as notas que dominaram, ontem, a comemoração do 30.º aniversário dos transplantes hepáticos no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Foi o que aconteceu também quando Linhares Furtado, pioneiro da transplantação em Portugal, surgiu no palco de surpresa, acompanhado pelo filho, o cirurgião Emanuel Furtado.
Na cerimónia, Linhares Furtado – que por três vezes foi aplaudido de pé, por toda a assistência – saudou as “muitas caras conhecidas”. “Com elas muito aprendi, do ponto de vista humano e científico”, afirmou o cirurgião, feliz por constatar “a renovação e os progressos nos serviços de transplantação”.
“Muito, muito obrigado a todos aqueles que me ajudaram”, agradeceu Linhares Furtado, recordando, depois, que o transplante de fígado de Fátima foi “o primeiro realizado de urgência em Portugal”.
Depois de ter lançado um livro, em 2010, sobre “Transplantação de Órgãos Abdominais em Coimbra”, Linhares Furtado confessou ontem que, “por insistência de um amigo”, está a escrever um livro autobiográfico.

Agradecimentos aos profissionais
Antes, a abrir a cerimónia, José Guilherme Tralhão, cirurgião e elemento da comissão organizadora do evento, elogiou o trabalho desenvolvido no CHUC, nestes 30 anos, na Unidade de Transplantação Hepática Pediátrica e de Adulto.
O cirurgião agradeceu às atuais equipas e coordenadores da Unidade de Transplantação Hepática Pediátrica e de Adulto, e também aos pioneiros, que iniciaram esta obra e “depois a deixaram ao cuidado de novas lideranças, enriquecendo com a sua experiência”, disse, apresentando, como exemplo Linhares Furtado.
Na sessão, Dulce Diogo, coordenadora do Centro de Referência de Transplantação Hepática e da Unidade de Transplantação Hepática de Adulto, realçou que, até à data, o CHUC realizou 1.579 transplantes hepáticos. Em crianças foram feitos 296 transplantes hepáticos.
Dulce Diogo recordou que foi também em Coimbra que Linhares Furtado fez o primeiro transplante hepático sequencial do mundo, abrindo novas possibilidades para os doentes que necessitavam de um transplante de fígado.
Emanuel Furtado, cirurgião das equipas de transplantação hepática de adultos e pediátrica – que se bateu pela mudança dos transplantes pediátricos para o Hospital Pediátrico –, agradeceu a todos os profissionais, aos que já saíram e aos que continuam. “São demasiados para enumerar aqui, talvez um dia por escrito”, disse, frisando que esteve presente no “primeiro transplante hepático realizado e no último”.

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