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Filipe Rosa: “Há secções desportivas maiores que muitos clubes”

15 de às 10h18
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DB/Foto de Miguel Almeida

Foi eleito numa lista única. É um sinal de continuidade ou traz ideias novas apesar de ter muitas pessoas que já faziam parte do Conselho Desportivo?

É uma lista com muitas pessoas que vêm de trás, reforçada com um ou outro elemento, porque é importante trazer ideias novas.
A continuidade tem por base essas pessoas, que têm todo o mérito de estar nesta lista pela sua honestidade, dignidade e capacidade de trabalho que têm nas secções onde estão inseridos e pela paixão pela Académica.

Quais são os vossos principais objetivos?

Um deles é dar a conhecer a AAC. As pessoas não têm noção do trabalho que é feito nas secções. Há secções desportivas maiores do que muitos clubes em Portugal. Com resultados, a nível nacional e internacional, que muito orgulham a cidade.
E é extremamente importante passarmos para a sociedade estas informações.

Essa falta de conhecimento será falta de interesse ou culpa própria na falta de divulgação?

Não acredito que exista alguma secção que não queira mostrar todo o trabalho feito. Acredito é que hoje temos de utilizar outras ferramentas. Já temos muito apoio dos jornais regionais, mas temos de trabalhar as redes sociais e outras ferramentas.
Penso que também há muita informação e as pessoas não conseguem filtrar tudo.

E o Conselho Desportivo terá um trabalho importante nessa filtragem, é isso?

Sim, já houve uma reunião com a Direção-Geral e houve um fórum sobre desporto, cultura e os núcleos da AAC no passado fim de semana e já estamos a pensar como podemos criar essa dinâmica.
Existem na casa secções como a RUC, a tvAAC e A Cabra que serão importantes para nos ajudar neste trabalho.

Que mais pretendem implementar?

Queremos retomar, no próximo ano, a Gala Francisco Salgado Zenha, que é um momento de reconhecimento dos atletas e agentes desportivos.
Também temos de cultivar e reforçar uma ligação com a Câmara Municipal de Coimbra. Quando a Académica participa nas provas nacionais e internacionais leva a AAC mas também a cidade de Coimbra.
Temos de criar uma política desportiva. Perceber os caminhos a fazer, não só na área da competição mas também da formação.
Tem de haver uma envolvência da câmara, das escolas… temos de trabalhar isto de uma maneira muito forte e bem estruturada. Porque, se desde a escola primária houver uma interação com o trabalho das secções, dos núcleos, etc., vamos dar-lhes uma luz para seguir.
Também gostaria que as juntas de freguesia se envolvessem mais, tal como as empresas. Há antigos alunos espalhados pelo país e pelo mundo que podem ajudar.

E a Universidade?

É um parceiro muito importante. Quanto mais resultados desportivos houver nas secções da AAC melhor será a imagem, a nível nacional e internacional, para captar alunos que queiram vir para a Universidade de Coimbra.
Se tiverem a referência dos cursos que há na Universidade de Coimbra e souberem que há várias modalidades que podem praticar é apelativo.
Dou um exemplo do judo: a Pihla Solonen é finlandesa e escolheu vir para a Universidade de Coimbra para poder treinar e competir na AAC enquanto estuda.

Isso é uma coisa muito comum?

Não tenho um conhecimento profundo sobre isso, mas penso que há muito trabalho a fazer nesta área e a Universidade é fundamental para estas sinergias.

Coimbra acolheu, em 2018, os Jogos Europeus Universitários. Esse elã foi aproveitado?

Sim, e foi um excelente trabalho feito pela Universidade de Coimbra. Melhorou-se bastante todo o equipamento desportivo, principalmente no Estádio Universitário, o que melhorou muito as condições para a prática desportiva de várias modalidades. E sem dúvida que trouxe outra dinâmica no desporto universitário e na prática da atividade física dos estudantes, funcionários e colaboradores da Universidade de Coimbra.
Há uma diferença até na sensibilidade em relação aos estudantes que praticam desporto universitário e federado.

Entretanto houve um estatuto de carreira dual, estudante–atleta, que foi aprovado. Está a ser posto em prática?

Os Jogos Europeus Universitários despertaram uma sensibilidade maior nos docentes, por exemplo, para compreender e facilitar a vida aos estudantes que não podem por exemplo ir a uma frequência.

O desporto universitário vive, em Coimbra, muito do trabalho das secções da AAC. De que forma é que a Universidade ajuda nesta missão?

É um parceiro fundamental. Tem agora um gabinete de desporto universitário, que é muito importante porque está muito focal…

de resto, liderado por Filipa Godinho, que teve um papel importante também na organização dos Jogos Europeus Universitários…

Sim. Esse trabalho está a ser feito. Há um apoio financeiro da Universidade à AAC que tem uma parte destinado ao desporto universitário e só assim faz sentido, com estas sinergias. Em conjunto consegue-se fazer um trabalho muito forte.
A AAC tem secções com estruturas que quase podiam ser consideradas profissionais. Só não são remuneradas como tal. Porque a qualidade do trabalho, planeamento e organização é muito profissional.
Era muito difícil para a Universidade criar estruturas para acompanhar estas modalidades quando a AAC já as tem, com pessoas com experiência de longos anos e um currículo que são mais-valias para a Universidade.

As secções têm hoje estruturas mais envelhecidas do que acontecia antigamente. Há menor disponibilidade por parte dos estudantes para se envolverem neste trabalho?

Existe envolvência dos estudantes, mas as secções atingiram proporções que fazem com que o trabalho que dá, hoje, dirigir uma secção, seja muito maior do que há uns anos. As dinâmicas são muito diferentes.
Há pessoas com anos de ligação às secções e ainda bem que elas existem, porque é paixão. São anos e anos de sacrifício da vida pessoal e familiar.
Os estatutos obrigam a que haja universitários nas direções das secções, e ainda bem, porque eles vão ser o futuro. É muito importante que haja uma passagem de testemunho.
Um dos problemas que vamos enfrentar é o facto de muitos destes universitários que se envolvem nas secções não terem espaço no mercado de trabalho da região. De certeza que, se houvesse espaço para eles, continuariam ligados às modalidades.

Os espaços continuam a ser um problema para o desporto na AAC?

Ao longo dos anos tem-se procurado criar condições para as secções fazerem o seu trabalho. Mas ainda faltam espaços desportivos.
A AAC tem intenção de conseguir criar um ou dois pavilhões desportivos para dar mais condições às secções. Vai criar-se uma equipa para fazer essa análise. Mas a estrutura financeira não permite dar todas as condições necessárias. Por isso é imprescindível a ajuda da câmara.

A Câmara passou a ter a gestão do parque escolar. É uma oportunidade?

Já falei com o vereador do Desporto, Carlos Lopes, para agendarmos uma reunião para pensar uma política desportiva e [discutir] a gestão dos espaços das escolas também pode ser muito importante. Não só para desenvolver o trabalho das secções, mas também para criar uma maior envolvência com os alunos das escolas.
Também não nos podemos esquecer que as secções desportivas cresceram imenso nos últimos anos o que obriga a ter mais espaços.
Temos de perceber o que existe, e já fazemos uma grande gestão dos espaços existentes, como o Pavilhão Jorge Anjinho, o Campo Santa Cruz, o Estádio Universitário e alguns espaços como o Mário Mexia e outros pavilhões de escolas.

O Pavilhão Jorge Anjinho foi uma boa solução para essa falta de espaços ou foi um presente envenenado sem a rentabilidade desejável?

Quando as secções lutam diariamente contra a falta de espaço, se temos um local para a prática desportiva de dezenas ou centenas de atletas, isso é o mais importante.

Mas é possível rentabilizar ainda mais o espaço e renegociar o protocolo?

Estamos a tirar o máximo de rentabilidade que conseguimos do espaço. Quanto à renegociação vamos ver como as coisas se encaminham…

Este crescimento das secções é inimigo da qualidade?

Nunca nos podemos lamentar de ter muitos atletas.

Quantos são, no total, a representar a AAC?

À volta de 4.000. Entre federados e não-federados…
Ter muitos atletas é sempre motivo de alegria. Temos é de procurar condições para pôr os atletas a praticar desporto.
Penso que a Direção-Geral e a câmara não iam ficar nada chateados por ter 10 mil atletas a praticar desporto na Académica. Tem é de se criar as condições necessárias.

Hoje há 27 secções e mais duas pró-secções. A 30.ª está para breve ou não é uma preocupação?

Sempre que surge alguém com vontade de criar uma secção tentamos sempre ajudar a cumprir todos os formalismos e regulamentos necessários. Temos todo o interesse em aumentar a prática de modalidade e evidentemente estamos sempre atentos a outras modalidades.
Neste momento temos pró-secções de boccia e padel. Estamos aqui para os abraçar e dar-lhes continuidade.
Mas estamos sempre atentos e com a sensibilidade para ver novas modalidades.

A solidariedade é um valor importante na AAC. Como se conseguem gerir processos de dívidas de algumas secções que têm implicações no todo?

Sempre houve solidariedade entre as secções. Entreajuda e solidariedade estão na base do desporto.
No passado houve algumas secções com dificuldades financeiras e houve sempre disponibilidade do Conselho Desportivo, que é simplesmente o órgão que faz a gestão financeira do dinheiro das secções.
Há casos que estão a ser resolvidos, como o da Secção de Andebol, outros estão já resolvidos, como o da Natação…
A própria Direção-Geral acabou por ser vítima dos problemas financeiros das secções, o que depois se repercutiu nos apoios às diversas secções. Sempre houve boa-vontade e vai continuar a haver para resolver situações pendentes.

As mais cumpridoras acabam por ser limitadas no seu trabalho pela má gestão de outras?

Não podemos ver as coisas dessa forma. As secções permanecem os órgãos sociais mudam. Não podem ser prejudicadas por uma gestão que não correu da melhor maneira por determinados órgãos sociais.
O futuro é uma incógnita e isto pode acontecer com qualquer uma. Tem de haver sempre um pensamento positivo, mas as alterações dos estatutos nos últimos anos permitiram, por exemplo, ter um Conselho Fiscal mais atento à gestão das secções.

Nos últimos anos muito se tem falado sobre a gestão do Organismo Autónomo de Futebol, que hoje vive dias complicados a muitos níveis. Na sua opinião, caso caia para um patamar amador ainda continua a fazer sentido o OAF?

Dentro do espírito da solidariedade do desporto e da AAC, o que desejamos é que o OAF consiga resolver os seus problemas e que consiga voltar à 1.ª Liga, o que muito honra a AAC e a cidade.
Não tenho um conhecimento profundo da situação porque passa o OAF, mas há sempre disponibilidade da nossa parte para ajudar em tudo o que pudermos.
A Direção-Geral é quem manda nesta casa e estamos sempre disponíveis para ajudar a pensar o melhor caminho para este caso específico.

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