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Futsal: Domus Nostra assume ambições e aspirações a caminho das Bodas de Ouro

24 de às 10h57
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A caminho das bodas de Ouro, pode dizer-se que o Domus Nostra é mais do que um clube desportivo?
Efetivamente, no próximo ano celebraremos as nossas bodas de ouro. Para o efeito estamos a preparar um conjunto de iniciativas para comemorar condignamente essa data.
Em relação à questão, na minha opinião, o Domus Nostra é muito mais do que um clube desportivo. Em primeiro lugar é uma grande família, um “local” de encontro e convívio entre as pessoas das nossas aldeias. Por outro lado, os nossos estatutos dizem, no artigo 2.º, que somos associação que se propõe a realizar fins culturais, sociais, recreativos e desportivos. Toda a direção tem este artigo bem presente e na preparação do nosso plano de atividade levamos em linha de conta este desígnio deixado pelos sócios fundadores do clube.
Sabemos que, na realidade atual, o Domus Nostra pode, eventualmente, ser mais conhecido, principalmente fora do nosso concelho, pelas atividades desportivas, mas não posso deixar de destacar ao nível cultural a existência do “Grupo Folclórico de Portomar” e do “Grupo de Fados Aldeia Velha”, pertencentes a esta associação, de atividades como o “Nostracantores”, ou Gala “Domus no Coração”; ao nível social e recreativo, atividades como as comemorações do Carnaval, do Dia da Árvore e Dia da Mulher, da realização de diversos “Jogos Solidários” para angariação de fundos para diversas causas, participação e animação das festas de Portomar ou de S. Tomé.

Como caracteriza a abrangência social e cultural do Domus Nostra?
Julgo que grande parte da questão já foi respondida na pergunta anterior. No entanto, posso referir que temos sempre bem presente a questão social e cultural no nosso clube. Tentamos ter oferta de atividades para os mais variados “públicos”. Se fazemos um concurso para jovens cantores, desde os 3 anos de idade, também é verdade que não esquecemos os mais “adultos”, por exemplo nas aulas de informática para seniores. Colaboramos desde o primeiro ano de existência com a Universidade Sénior de Mira, estabelecemos ligações com as famílias mais carenciadas e com instituições de solidariedade do nosso concelho, somos uma das alavancas sociais e culturais, em Portomar e em Mira, disso não tenho a menor dúvida.

Como avalia a dinâmica das diferentes secções do Clube?
Felizmente o Domus Nostra é um clube eclético e com várias secções muito dinâmicas e autónomas.
Se o Futsal está na dependência direta da direção, todas as restantes secções têm uma orgânica própria com a independência necessária do posto de vista organizacional e financeiro.
Todas as nossas secções têm, pelo menos um elemento dos corpos sociais do clube na sua “direção”. Temos algumas secções já com muitos anos de atividade ininterrupta no seio do nosso clube, a destacar o Grupo Folclórico de Portomar, o Grupo de Fados Aldeia Velha, o Karaté, a Pesca Desportiva, a Domus F e o Nostramotor, às quais se juntaram mais recentemente o Studio 11 (Escola de Hip Hop) e os E-Sports. Este ano acrescentamos o Domus Ar Livre (BTT e Trail), a Mteam (Kartcross) e as Marchas Populares “Rasteirinhas do Cential”.

No plano desportivo, o Futsal é o foco principal do Domus Nostra?
Como já referi anteriormente, felizmente o Domus Nostra é muito eclético e não escondemos o orgulho que sentimos por termos competição e atletas em várias modalidades, no entanto também admitimos que neste momento o Futsal é a modalidade de maior relevância para o Domus Nostra, sem qualquer desprimor pelas outras modalidades e secções, é no Futsal que a direção investe maior energia, maior orçamento e concordo com a sua afirmação, o Futsal é o foco principal do Domus Nostra.

O Futsal, em Portugal, vive tempos de euforia, com as conquistas da seleção. Sente que esse entusiasmo ajuda a atrair jovens para a modalidade?
Se no início deste milénio, mais concretamente na época 2001/2022, a nossa primeira época de futsal federado na AFC, nos dissessem que Portugal, em breve, iria ser a maior potência mundial deste desporto certamente nenhum de nós acreditaria. No entanto, com as conquistas dos clubes nacionais e principalmente da nossa seleção nacional de futsal nestes últimos anos, o Futsal nacional atingiu um patamar de excelência, e sim, concordo que é mais fácil atrair jovens para a modalidade quando temos uma seleção campeã da Europa e do Mundo.

Em sentido inverso, ao nível distrital, parece haver algum declínio. Concorda?
Não concordo na totalidade. O declínio ou a ascensão da modalidade não podem apenas ser medido em números, quer de atletas quer de equipas, deve-se igualmente olhar à representatividade de Coimbra nos campeonatos nacionais, à qualidade das equipas e aos seus resultados e às prestações das nossas seleções nos torneios Interassociações.
Julgo que muito temos a melhorar, mas também não sou dos mais negativistas ao olhar para o nosso futsal distrital, uma vez que nas camadas jovens o número de atletas tem vindo a crescer, o número de atletas femininos na formação tem aumentado igualmente. Ainda na formação, as equipas do nosso distrito que se apuram para as taças nacionais têm obtido bons resultados. A prova disse mesmo é que conseguimos manter algumas equipas nos nacionais e isso certamente será fruto do crescimento e do aumento da qualidade da modalidade no distrito.
De negativo, destaco os campeonatos seniores, quer masculino quer feminino, em que se regista ano após ano um declínio no número de equipas participantes. Certamente, este terá de ser um tema a debater e a encontrar soluções conjuntas para inverter esta situação.

De forma transversal, dos petizes aos seniores e também equipas femininas, como avalia o nível competitivo do Futsal no distrito de Coimbra?
Na globalidade, como já referi anteriormente, julgo que estamos num patamar que se situará entre o nível médio a médio-alto, em comparação com as restantes associações distritais do país. No entanto, na minha opinião, temos sempre de evoluir e passar a ser uma referência ao nível nacional, estar ao nível dos distritos do Porto e de Lisboa, uma vez que temos condições para isso.
Julgo que o salto qualitativo tem de passar também pela Associação de Futebol de Coimbra, sendo ela a organizadora das competições distritais, terá de se “profissionalizar” e especializar um departamento dedicado ao Futsal, dialogando com os clubes, auscultando as suas necessidades e indo ao encontro das suas expectativas.

Como combater o fascínio dos miúdos pelo futebol?
É uma realidade, fruto do que é “mais” tradicional aliado à maior notoriedade que é dada pela comunicação social aos clubes e aos atletas do Futebol. Se associarmos isto ao “sonho” dos pais em fazer dos filhos atletas profissionais, nesta luta quase sempre o Futsal sai a perder.
No entanto, julgo que cada vez mais essa diferença se vai atenuando, principalmente pela qualidade da nossa Liga Placard, pelo sucesso das seleções e pelo aparecimento de ídolos e de atletas de referência na modalidade.
Confesso que não pensamos muito nisso, e honestamente, no nosso caso em concreto, não nos podemos queixar. Ano após ano temos conseguido aumentar o número de atletas federados.

Como está o processo de certificação do clube?
Estamos pela segunda vez no processo de certificação do clube pela FPF. Na época anterior fizemos, pela primeira vez, a candidatura ao processo de certificação e, na época de 2022/2023, estamos novamente nesse processo juntamente com o processo de Licenciamento do Clube para provas da FPF.
Resistimos até ao último momento em abraçar este desafio lançado pela certificação. Não é um processo perfeito, temos aliás algumas críticas a fazer, designadamente porque é muitos trabalhoso do ponto de vista burocrático e é demasiado teórico e feito para a fotografia e para o papel. No entanto, reconhecemos que é um processo necessário e que “obriga” os clubes a uma organização de procedimentos e uniformização de processos.

O clube está satisfeito com os apoios, institucionais e empresarias, que tem tido?
Do ponto de vista institucional, contamos sempre com o forte apoio da Câmara Municipal de Mira, quer apoio financeiro quer logístico ou outro. Também a Junta de Freguesia de Mira, na devida proporção, é sempre um dos nossos apoiantes. Depois, tentamos estar sempre atentos a possíveis candidaturas que ocorram, principalmente do IPDJ – Instituto Português da Juventude e do Desporto, FPF – Federação Portuguesa de Futebol ou outras.
Ao nível empresarial, sentimos mais dificuldades, pois o tecido empresarial do concelho não é muito grande. No entanto, o existente é colaborante e generoso com a nossa instituição.

Com os melhoramentos introduzidos nossa últimos tempos, pode dizer-se que o pavilhão tem hoje condições ótimas para a prática desportiva?
Ótimas ainda não, estamos melhores do que há 10 ou 5 anos, mas ainda estamos a trabalhar para melhorar as condições do nosso parque desportivo.
Nos últimos anos, fizemos muitos melhoramentos no nosso complexo. Quero destacar a construção do refeitório, do parque de merendas e campo de jogos exteriores, do construção do novo pisos do pavilhão e da nova iluminação, entre outras obras de melhorias de menos escala. No entanto faltam os novos balneários, que serão uma realidade muito em breve, temos a convicção de que no dia dos nossos 50 anos já teremos os novos balneários construídos e em utilização. Trata-se do projeto mais ambicioso e dispendioso dos últimos 25 anos, mas ficaremos, ai sim, com condições de excelência para os nossos atletas e para as equipas que nos vistam.

Esse é o seu maior desejo para o Cinquentenário do clube?
Sim. A inauguração dos novos balneários é, para nós, um sonho… que se está a tornar realidade. O resto, com trabalho e dedicação certamente irá acontecer (voltar ao nacionais, mais títulos na formação, ter algum atleta da seleção nacional, etc., etc.).

Mira é um concelho fronteira, onde se faz sentir o efeito de atração de Aveiro. Como se lida com esta realidade, ao nível associativo?
Tentamos não pensar muitos nisso, focamo-nos em nós e em como capitalizar a nossa situação geográfica, para daí tirar o máximo proveito. Nos nossos concelhos vizinho, quer de Coimbra quer de Aveiro, não há, infelizmente, muitos clubes de futsal, pelo que o poderia ser visto como uma vantagem para nós é uma tremenda dificuldade, quer ao nível da angariação e captação de atletas quer ao nível de encontrar soluções para jogos de treino e amigáveis. Por isso, desde há muitos anos a esta parte, somos essencialmente um clube formador e alimentamos os nossos escalões de competição com os nossos atletas da formação. E esta é uma política para manter.

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