Governo tem de ouvir (mais) os professores
Os docentes do Agrupamento de Escolas Martim de Freitas e da Escola Secundária José Falcão manifestaram-se ontem de manhã à entrada dos respetivos estabelecimentos de ensino. Empunhando cartazes como “União pela Educação”, “Respeito” ou “Professora contratada = professora precária”, os docentes mostraram o seu descontentamento pela desvalorização da sua profissão.
Em declarações ao DIÁRIO AS BEIRAS, a docente Clara Grebe (Martim de Freitas) referiu que a sua carreira foi “congelada” pelo Governo ao não contabilizar seis anos, seis meses e 23 dias na contagem do tempo de serviço. A professora de Inglês lembrou ainda a falta de acesso dos docentes aos quadros de escola e as deslocações (de muito quilómetros) a que muitos deles estão sujeitos.
Sobre as propostas apresentadas no dia anterior pelo ministro da Educação, Clara Grebe reconheceu que são apenas o princípio de um trabalho mais vasto. “Trata-se de coisas pontuais que não resolvem os problemas de fundo da educação”, frisou.
Ao seu lado, Liliana Santos afirmou que é docente de Português há 15 anos e que, até agora, “ainda não consegui vincular nem aceder à carreira”. Neste momento, a professora de 41 anos está apenas com meio horário, temendo não conseguir efetivar nos próximos anos. “As novas medidas não se adequam ao que nós merecemos nem se ajustam ao que os alunos precisam”, frisou.
Comunidade educativa dá forte apoio
Em ambos os protestos, é de assinalar a presença de alunos, encarregados de educação e assistentes operacionais. Um apoio que os docentes consideram fundamental “para bem da escola pública”, referiu Liliana Santos.
A menos de um quilómetros de distância, os professores da escola José Falcão decidiram mostrar o seu descontentamento na escadaria de acesso ao estabelecimento de ensino. “Estamos a protestar pela dignidade do nosso trabalho e pela escola pública”, afirmou ao DIÁRIO AS BEIRAS Fernando Marques. O professor de Economia reconheceu que as propostas apresentadas no dia anterior por João Costa são escassas e não ajudam a resolver o problema de fundo. Para que o protesto se minimize, o docente entende que “o ministro deve ouvir os professores, pois tem de entender o que se passa efetivamente no terreno”.
A falta de respeito do ministério para com os professores é uma das razões que levou Ana Cristina a juntar-se aos colegas. Usando a letra “L” da palavra Luta, a professora de Educação Especial afirmou que a situação já dura há alguns anos e que a acumulação de problemas levou a que os docentes tivessem agora decidido manifestar-se junto da comunidade. “Estamos muito indignados”, disse a professora, aproveitando a oportunidade para solicitar ao primeiro-ministro e ao ministro da Educação “boa fé” nas reuniões que decorrerão hoje em Lisboa.
Um encontro que ditará a continuidade, ou não, do protesto de três organizações sindicais. Uma delas – o Sindicato dos Professores da Região Centro – tem marcada uma greve no distrito de Coimbra na próxima terça-feira. Nessa data, e de acordo com informações dadas ontem, o protesto no concelho de Coimbra tem início junto à entrada principal das escolas, devendo depois os docentes e assistentes operacionais encaminhar-se para a Praça 8 de Maio, onde haverá manifestação em defesa da escola pública.


