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Graciano Paulo: “O grande desafio é aumentar as instalações da ESTeSC”

12 de às 09h47
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DB/Foto de Ana Catarina Ferreira

Que balanço é que faz deste primeiro ano do seu mandato?

Falar em causa própria é sempre complicado, mas olhando para aquilo a que nos propusemos fazer, comparativamente com aquilo que fizemos, estou muito satisfeito com este primeiro ano de mandato. É óbvio que é sempre possível fazer mais e melhor, ou diferente, mas na vida destas organizações têm que se tomar decisões. E, como se diz, é preferível, às vezes, uma má decisão do que uma ausência de decisão. Portanto, aquilo que fizemos foi tomar decisões que pudessem colocar novamente na escola fora dos muros que a rodeiam – isto na relação com o exterior – e, internamente, proceder a um conjunto de reorganizações dos serviços,para os tornar mais eficientes.

A ESTeSC é uma escola com grande capacidade de captação de estudantes…

Sim, a escola que tem muita procura, felizmente.

Estas são as instalações ideais para acolher os alunos?

Não são, de todo. Aliás, nós temos um projeto para fazer um polo novo no parque de estacionamento no campus da ESTeSC, mas para fazer isso temos que encontrar uma solução alternativa para o estacionamento que existe atualmente, que é caótico, com a agravante de servir duas escolas (Escola Superior de Enfermagem de Coimbra e ESTeSC) independentes e autónomas. Aliás, é uma situação que traz para dentro destas duas instituições um problema de segurança extremamente complicado. Nós não conseguimos fazer aprovar um plano de segurança e de emergência com nenhuma autoridade porque não há circulação possível de carros de socorro. À boa maneira portuguesa, se houver uma crise, depois “levante-se um inquérito para apurar responsabilidades”. Toda a gente sabe que, neste momento, este mini campus não tem as condições de segurança adequadas.

Qual é a solução?

Uma das medidas que estava no nosso manifesto eleitoral e que conseguimos concretizar era estabelecer um protocolo entre três instituições – ESTeSC, Escola de Enfermagem e CHUC – que já está assinado e que vai possibilitar alargar ligeiramente aquele espaço para fazer um parque de estacionamento que permita criar circuitos próprios de circulação e estacionamento em segurança. Portanto, diria que é a obra que falta para podermos resolver o problema das instalações. Um dos balanços positivos deste ano de mandato é que, face a um conjunto de inovações que trouxemos para a escola, o número de alunos aumentou. Nós estamos, neste momento, com 1.440 alunos dentro da nossa escola. Temos manifestamente falta de instalações que gostaríamos de conseguir resolver, aproveitando financiamento do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) para fazer aquele polo porque não temos dinheiro para o fazer. Mas vamos iniciar tudo, do ponto de vista de projetos. E também já demos entrada na Câmara Municipal um pedido de informação prévia. Portanto, espero que a câmara aprove o início do processo.

A investigação foi uma das áreas a que também quis dar relevo no seu mandato.

A investigação é um pilar essencial para o nosso desenvolvimento. Uma escola de ensino superior sem investigação não cresce, não se desenvolve, não é atrativa. Por isso, a aposta na investigação tem que ser feita de forma muito vincada. Não é fácil, porque a investigação depende da vontade das pessoas. Não adianta atirar dinheiro para cima de algo se não houver empenho e vontade das pessoas. Felizmente, nós temos, maioritariamente, uma comunidade empenhada, sobretudo de docentes, e temos um conjunto de projetos de investigação nacionais e internacionais financiados. Mas, pessoalmente, sabe-me a pouco. Portanto, como estratégia da escola para 2023, vamos fazer a nível interno exatamente aquilo que se faz a nível nacional e internacional: uma “call” para que internamente haja a possibilidade de financiar projetos que venham de vários departamentos no sentido de os pôr a trabalhar em conjunto e, se possível, com alunos.

Este ano, a ESTeSC abriu dois novos mestrados…

Sim, o mestrado em Fisiologia Clínica, que é o primeiro do país, e o mestrado em Imagem Médica e Radioterapia, que também é o primeiro do país. Encheram os dois, o que superou claramente as expectativas. Estamos muito satisfeitos. Os mestrados estão a funcionar no modelo de blended learning – aliás, eles foram acreditados pela Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES) em formato híbrido. Portanto, os alunos têm essencialmente aulas online, mas também tem aulas presenciais, até porque nesta área da formação avançada, a maior parte das pessoas já trabalham. Estamos a falar de profissões reguladas, em que ser licenciado é uma condição necessária, mas não é suficiente porque estes licenciados têm que obter, ou da administração central do sistema de saúde ou da respetiva ordem profissional, a carteira para poder exercer. E, portanto, como temos empregabilidade de praticamente 100% em todas as áreas, quando falamos de mestrados estamos essencialmente a falar de trabalhadores-estudantes. Para o ano propusemos mais um – Mestrado em Saúde Ambiental, que está para aprovação. Além disso, temos uma série de pós- -graduações a funcionar e outras em fase de candidatura. A nossa aposta de crescimento vai ser claramente nas pós-graduações porque há um mercado ávido de obter competências em áreas muito específicas. E, depois, com a questão do PRR, as micro-credenciações também me parecem que vieram para ficar. São cursos muito curtos, abaixo das 70 horas, muito específicos que vêm dar resposta a pequenas necessidades que os profissionais sentem no seu dia a dia.

Como comenta o facto de os politécnicos ainda não poderem atribuir doutoramentos?

Estar a bloquear os doutoramentos por via administrativa é, claramente, aquilo que traduz a diferença entre medo e pânico. O sistema dual no ensino superior é um sistema ultrapassado, não faz sentido. Aliás, se somos fundamentalistas com o sistema dual, então não podemos ter universidades que têm ensino politécnico. Isto é claramente uma anedota, um bloqueio administrativo, mas (a atribuição de doutoramentos pelos politécnicos) vai acontecer mais dia menos dia porque a evolução histórica foi esta: houve momentos em que o politécnico só podia atribuir grau de bacharel, depois só podia atribuir grau de licenciado, agora já podemos dar mestrados. Logo, é uma questão de tempo. E eu espero que o regulador, neste caso a A3ES, tenha bem definida quais são as regras para atribuir doutoramentos. Há uma coisa que eu sei: neste momento, há muitos politécnicos em Portugal que cumprem mais critérios quer do corpo docente, quer de investigação que muitas das universidades, públicas e privadas – porque ninguém fala desta questão das privadas com muito pouca qualidade que, por serem universidades, atribuem doutoramentos. E mais: temos professores do politécnico a orientar teses de doutoramento da universidade. Eu não tenho dúvidas que esta escola mais dia, menos dia vai atribuir doutoramentos porque tem corpo qualificado para isso, porque tem investigação para isso, e porque tem vontade para isso. Mas, muito honestamente, não é algo que nos tire o sono porque sabemos que isso vai acontecer naturalmente.

Faltam três anos para terminar o seu mandato. Quais são os desafios?

O primeiro grande desafio é aumentar as instalações. O segundo desafio é melhorar as condições laboratoriais da escola. A área das tecnologias da saúde é muito sensível porque evolui à velocidade da luz e os investimentos são muito caros. Qualquer investimento feito hoje estará obsoleto daqui a meia dúzia de anos. A escola tem uma necessidade urgente de renovar o parque tecnológico para a lecionação e para a investigação e esse é um outro desafio para o qual nós temos que encontrar soluções. Por outro lado, a recuperação dos dois edifícios que temos no campus com problemas estruturais. Outra prioridade é aumentar o número de alunos e a receita própria proveniente ou de projetos de investigação ou de prestação de serviços. Neste âmbito, pode ser que 2023 nos traga uma prenda.

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