Integrar fornece refeições a quem precisa todos os dias
“Conheço-os todos pelo nome, até os conheço pelos sacos que trazem para levar a comida. Pelos sacos sei quais são as sandes de que gostam mais”, sorri Laura Rigueiro, responsável pela Cozinha Solidária da associação Integrar, que ontem, Dia de Natal, era a única instituição, na cidade de Coimbra, a servir gratuitamente refeições para pessoas carenciadas.
“É uma forma de contribuir para que eles tenham um melhor dia de Natal”, considera Laura Rigueiro, funcionária da Integrar, tal como as voluntárias que ontem, feriado natalício, a acompanharam naquele serviço: Dina Oliveira e Claudina Carvalho e a filha de 15 anos, também ela chamada Claudina.
E os utentes também conhecem as funcionárias? “Conheço muito bem as duas”. As duas? “Sim, as duas Lauras”, brincam António Estrela e José Monteiro, que pelas 11H00 já esperavam no exterior a entrega da sua refeição, atrás do mercado municipal, na rua Martins de Carvalho. “É verdade, quem me substitui é a Laura Joaquim”, confirma Laura Rigueiro.
O Serviço de Alimentação Solidária da Integrar garante refeições, em take-away, 365 dias por ano, ou seja, todos os dias, sem exceção. É o único serviço da cidade que assegura refeições aos fins de semana e aos feriados. Em regra, durante a semana fornece diariamente o jantar, em take-away, para cerca de 25 pessoas. Ao fim de semana, porque é o único local a fornecer refeições, entrega a comida ao almoço para cerca de 40 a 45 pessoas, ou seja, os utentes quase duplicam.
“É assim há 28 anos, fazemos questão disso, e não podia ser de outra maneira. As pessoas não têm necessidades só de segunda a sexta-feira e não têm outra alternativa para fazerem uma refeição”, sublinha Jorge Alves, presidente da associação Integrar.
Este ritual diário traduz-se em mais de quatro mil refeições anuais, refere Ivone Martins, da direção da associação Integrar. No próximo ano, é também esse o número de refeições que esperam servir.
Donativos de alimentos para as refeições
Os utentes são referenciados pela Segurança Social e diariamente existe uma lista onde consta o nome de quem irá buscar as refeições, explica Laura Rigueiro.
Para confecionar a comida a associação conta com donativos de diversas instituições, como supermercados, restaurantes, pastelarias, entre outros.
Para ontem, dia de Natal, estava prevista outra ementa, mas a associação recebeu um donativo de frangos. Logo, o almoço passou a ser frango assado com arroz, a que se juntaram, nos sacos, a canja, o pão, a sobremesa, composta por fruta e arroz doce, para além dos biscoitos e do bolo-rei. A ementa depende muito dos donativos, e pode incluir iogurtes, sumos, gelatinas ou bolos.
Laços solidários
Nesta Cozinha Solidária não se entrega apenas a comida, criam-se laços. “A maioria destas pessoas vive sozinha e aqui acabam muitas vezes por falar e desabafar” ou contar histórias de vida, quase sempre tristes.
De resto, os funcionários e voluntários da Integrar não se limitam a entregar a comida, mas vão tentando colmatar outras necessidades, por exemplo de roupa, encaminhando os casos para o seu Pronto-a-Vestir/Loja Social, ou de cuidados de saúde, tendo o apoio pontual de uma enfermeira. Aliás, ontem, António Estrela, que é diabético, aproveitou para levar a necessária caneta de insulina.
Os utentes não são só números. A maioria são adultos, mas duas famílias têm crianças. Uma mãe com três crianças – que exigem maior atenção na alimentação – e um casal com um bebé – que conhecem desde os nove dias de idade – que está agora a começar a comer comida sólida, com orientação dos funcionários.


