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Lousã em festa para as Bodas de Ouro do RCL

19 de às 09h46
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DB/Foto de Miguel Almeida

Há dias, o Benfica foi jogar (e perder) à Lousã e o presidente da Federação, que assistiu ao jogo, deixou um compromisso: o Estádio José Redondo vai ser palco de um jogo internacional de râguebi feminino.
O desafio, entre o XV nacional feminino e uma seleção estrangeira, não deverá acontecer ainda este ano. Mas o Mundial de Râguebi, em França, é o foco de todos os amantes da modalidade, em 2023. José Redondo sabe bem disso: “Quero ver se consigo bilhetes para toda a equipa poder ver um jogo de Portugal, em Marselha”.
Para o “Senhor Râguebi”, porém, a aposta deveria ser outra, em Portugal: “Continuo a defender a aposta nos sevens”.
José Redondo lembra que o râguebi de XV exige avançados muito altos e de grande poder físico, que realmente não há em Portugal. “Pelo contrário, temos uma tradição muito boa, que vem dos franceses, que é o jogo à mão a partir das linhas atrasadas”, explica, sintetizando: “O jogo de sevens permite uma maior facilidade de movimentação a campo todo e potencia a nossa velocidade e técnica de execução, sobretudo à mão”.
Ainda assim, temos a seleção nacional de XV apurada para o Mundial… “É verdade, assim como é verdade que é a única seleção amadora, mas temos de ser verdadeiros e reconhecer que sem os sete ou oito jogadores “franceses” (NdR – atletas de origem portuguesa mas que nasceram, formaram-se e jogam em França) nunca lá iríamos”, desabafa.
Já se falou, a abrir, que o presidente da federação, Carlos Amado da Silva, prometeu um jogo internacional na Lousã. José Redondo pede, mesmo, para que se enfatize o compromisso. E lembra a importância de ter, por perto, um presidente confiável e temerário, como Jorge Fernandes, na Federação Portuguesa de Judo.

Elogio a Jorge Fernandes

“É um homem excecional, com um valor extraordinário”, elogia José Redondo. “Eu acompanhei a questão justamente através do Diário As Beiras. E só posso dizer uma coisa: Tem todo o meu apoio. O que ele fez pelo judo e, mais, por Coimbra é inestimável”.
Em linha com o bairrismo desempoeirado que sempre evidenciou, o empresário não tem dúvidas: “Coimbra devia unir-se à volta do Jorge Fernandes, devia fazer lobby por ele. Sim, porque agora só se consegue alguma coisa através de lobbying e é preciso criar um movimento, em Coimbra, para ir falar com os presidentes dos clubes”.
José Redondo recorda que, no râguebi, também se tentou, na década de 1980, trazer a federação para Coimbra. “Não conseguimos, apesar de termos aqui homens ímpares, como aquele que considero ser o mais importante do râguebi português, o Toni (NdR – António Cabral Fernandes, figura maior da Académica), homem completamente fora da caixa com uma visão incrível”.

Aposta na formação

Voltando ao RCL, vale a pena falar de formação. As escolinhas têm uma direção própria e cerca de 85 atletas inscritos. Na época transata, o técnico da equipa sénior, Rui Carvoeira, foi mesmo treinar os Sub-14. “A minha ideia era proporcionar, aqui no clube, um ritmo e uma qualidade de treino diferenciados aos atletas que não podem ir aos treinos das seleções – onde verdadeiramente se aprende mais, se contacta com novas realidades e se ganha o hábito de treinar mais e melhor”, explica José Redondo, acentuando: “Isso fez com que muitos atletas evoluíssem e pudessem mesmo ser chamados dos escalões mais baixos, mas infelizmente, com as atividades que agora tem, o Rui Carvoeira não tem podido dar sequência”.
Relativamente à equipa feminina, o dirigente reconhece que há que fazer mais. “Temos realmente um grupo de raparigas que estão a treinar muito bem mas admito que está a precisar de um novo impulso”.
Vale a pena lembrar que, na Lousã, José Redondo treinou todas as equipas dos infantis aos seniores, com vários jogos aos fins de semana para os quais tinha de preparar tudo, dos equipamentos à logística.
Mas nunca treinou uma equipa feminina. “Naquela altura não era hábito. Aliás, a minha filha Raquel foi a única dos meus quatro filhos que não fez râguebi, porque nunca achei que fosse uma modalidade feminina”, admite.
“O que ninguém pode dizer é que fui contra, até porque, lembro, a Lousã teve a segunda equipa de râguebi feminino em Portugal, no início dos anos 80, embora na altura com um sofisma meu: ter uma equipa de raparigas a jogar atraía os rapazes, que iam “ao cheiro” e isso fixava atletas e chamava outros à modalidade”, disse.
Hoje, porém, José Redondo reconhece que o râguebi feminino é incontornável e cada vez mais tem de ser apoiado. “Uma das razões, desde logo, é porque são as futuras mães dos atletas e sabemos que é mais fácil compreender e até incentivar um atleta que é filho de uma ex-jogadora quando chega a casa com a roupa suja ou com um lenho na cabeça…”, remata.

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