Misericórdia de Arganil quer integrar Rede de Cuidados Paliativos
No âmbito das comemorações do 375.º aniversário da instituição, a Santa Casa da Misericórdia de Arganil procedeu, no passado sábado, à inauguração simbólica do Hospital de Beneficência Condessa das Canas.
Trata-se de uma reabilitação no valor de cerca de três milhões de euros que já está concluída, faltando ainda algum equipamento.
Contudo, prevê-se que a infraestrutura – vocacionada para os cuidados paliativos e que a Misericórdia pretende que seja integrada na respetiva Rede Nacional – comece a funcionar no próximo ano.
Entretanto, foi igualmente inaugura do Gabinete Miguel Torga e de uma sala denominada “Sala Maria de Deus”, em homenagem a uma das beneméritas da Misericórdia, que ofereceu 100 mil euros para ajudar a custear a referida obra.
Ao assinalar o 375.º aniversário foi celebrado um protocolo com a Fundação Aurélio Amaro Dinis, de Oliveira do Hospital, com o intuito de que este hospital retome alguns dos serviços que já teve, como é o caso de especialidades de Cardiologia, Urologia e Ginecologia.
A história deste hospital
O provedor, José Dias Coimbra, lembrou que o edifício beneficiado “foi construído para acolher o primeiro hospital concelhio digno desse nome”, tendo, “ao longo de décadas”, assegurado “serviços de saúde aos que mais necessitavam”.
Destacou que “a requalificação deste hospital não resultou de qualquer aventura desmedida ou incauta decisão da Mesa Administrativa desta instituição, ela teve como substrato o compromisso que o Estado Português firmou em 2010, no âmbito do Programa Modelar II, e, ao contrário de outras instituições, a Misericórdia de Arganil cumpriu a sua obrigação, requalificar este hospital”.
As obras tiveram por base um contrato celebrado com a Administração Regional de Saúde do Centro, que “nunca foi rescindido, revogado ou resolvido por quem de direito e, por isso, a Misericórdia levou até ao fim as suas responsabilidades, esperando que outros as cumpram igualmente”, disse o provedor da Santa Casa de Arganil, agradecendo a todos quantos colaboraram neste projeto.
Apoio camarário
É o caso do presidente da câmara que,“desde a primeira hora, manifestou a sua posição política de defesa deste espaço e nele preconizou a instalação de uma Unidade de Cuidados Paliativos, como a Misericórdia tem vindo a desejar”, esclareceu José Dias Coimbra.
Aproveitando para pedir apoio ao município para “a melhoria do acesso ao Serviço de Urgência Básico”, o responsável pela Misericórdia garantiu que o hospital “marcará o início de uma nova etapa da instituição”.
Diferendo da Misericórdia com a ARS Centro
Luís Paulo Costa, presidente do município, defendeu que o Estado deve criar e assegurar “uma rede de cuidados paliativos que permita evitar ou diminuir o sofrimento de todos aqueles que se confrontam com doenças física e psicologicamente avassaladoras”. Constatou que o Hospital de Beneficência Condessa das Canas deve “ajudar a que o fim que a todos espera, aconteça com o máximo de dignidade e o mínimo de sofrimento”, funcionando como “um hospital de cuidados paliativos”.
Considerando que “é uma carência grave do nosso país a inexistência de uma Rede Nacional de Cuidados Paliativos”, o presidente da Câmara de Arganil sublinhou a próxima fase é “fazer perceber aos responsáveis do Ministério da Saúde e, particularmente, ao senhor ministro da Saúde, que a Santa Casa da Misericórdia de Arganil está a fazer um esforço grande para ajudar a criar uma resposta absolutamente necessária”. Ressalvou que “para o Governo, fica a parte mais fácil, integrar este equipamento na Rede Nacional de Cuidados Paliativos”. O deputado da Assembleia da República, José Carlos Alexandrino – presente na cerimónia – afirmou que “gostava que o ministro da Saúde estivesse aqui para ouvir o que devemos fazer para colocar em funcionamento esta instituição”, adiantando que “não esteve aqui porque a Santa Casa tem dois processos contra a Administração Regional de Saúde”. “Estou a tentar fazer um acordo para que estes processos deixem de estar em Tribunal”, concluiu o deputado, considerando que “com bom senso, vai ser possível chegar a um acordo”.


