Nova estrutura da câmara aprovada mas com muitas críticas e receios
Foi ontem aprovada, em sede de reunião do Executivo Municipal de Coimbra, a nova estrutura flexível e o respetivo regulamento para a estrutura da câmara. A proposta de reorganização dos serviços municipais prevê a duplicação das unidades orgânicas não integradas.
A proposta foi aprovada com os seis votos a favor da atual maioria do executivo e com cinco abstenções, dos quatro vereadores do Partido Socialista e um da Coligação Democrática Unitária.
Apesar de ter sido aprovada, a nova estrutura não deixou de receber criticas da oposição socialista. O aumento dos custos associados a esta nova estrutura foi criticado pela vereadora Regina Bento.
“A restruturação orgânica é o espelho das novas políticas que o executivo quer implementar. Estranhamos o facto do presidente andar sempre a queixar-se dos efeitos negativos da guerra mas, depois, apresenta uma estrutura orgânica que aumenta num milhão de euros os custos da câmara. Esta nova estrutura custará quatro milhões de euros ao executivo”, contestou.
O presidente da câmara José Manuel Silva assegurou que, apesar de os custos aumentarem, o importante é que a estrutura beneficie o trabalho da câmara.
“O que nos importa é a relação custo-benefício. Ninguém tem dúvidas que os encargos da estrutura são altos mas, dentro do equilíbrio que temos que manter, temos que aumentar a capacidade de resposta. Ainda assim, não vamos aumentar o mapa de pessoal”, vincou.
SMTUC com divisão de apoio na estrutura
A vereadora socialista questionou ainda uma divisão que “se sobrepõe” aos Serviços Municipalizados de Transportes Urbanos de Coimbra (SMTUC). “Nós vemos com preocupação a criação de uma divisão que se sobrepõe aos SMTUC. Os SMTUC continuam a funcionar com a sua estrutura”, afirmou.
José Manuel Silva reiterou, no entanto, que a estrutura será para ajudar o funcionamento dos SMTUC e não a sua sobreposição.
“Precisamos de criar estruturas capazes de responder às nossas necessidades e problemas. Nós queremos que os transportes coletivos funcionem melhor e esta estrutura ajudará os SMTUC”, assumiu José Manuel Silva.
Já a vereadora socialista Carina Gomes reiterou que “a partir hoje [ontem] acabaram as heranças do passado”, mas estranhou a incongruência do discurso de José Manuel Silva do passado com esta estrutura.
“O presidente da câmara queria dar autonomia ao Convento São Francisco e um novo modelo de gestão. O que se prevê nesta nova estrutura é uma divisão da câmara na gestão do Convento São Francisco. É apenas uma das incongruências desta estrutura”, realçou.
O edil de Coimbra assumiu que a mudança de posição relativa ao modelo de gestão do Convento São Francisco se deve ao facto do atual executivo “só depois de chegar à câmara ter tido acesso à informação toda”.
Já o vereador da CDU, Francisco Queirós, aprovou o facto de haver uma divisão de apoio às freguesias, mas lembrou que esta estrutura precisará de recursos adequados.
“Com esta estrutura precisamos de recursos humanos adequados. Algumas destas unidades orgânicas vão precisar de ter pessoas e pessoas com as qualificações necessárias”, reiterou.


