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“O objetivo final é que possam integrar o mercado de trabalho”

02 de às 13h03
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DR/Ana Catarina Ferreira

Desde 1989 que a Associação de Paralisia Cerebral de Coimbra (APCC) se dedica à formação profissional de várias centenas de alunos com necessidades educativas especiais. No último ano, já desenvolveram 15 ofertas de formação inicial, seis ofertas de formação contínua e já deram reposta, no primeiro semestre deste ano, a 215 formandos.
Uma dessas 15 ofertas formativas é o curso de auxiliar de cozinheiro, que é atualmente frequentado por cerca de duas dezenas de alunos.
O DIÁRIO AS BEIRAS foi até à Quinta da Conraria, em Ceira, para conhecer os formandos, as suas histórias e perceber qual o futuro para estes alunos.

Desenvolvimento através da cozinha
À volta da mesa, os seis alunos presentes na formação tecnológica do curso de auxiliar de cozinheiro, promovido pela APCC, aprendem a fazer rissóis de carne, alguns bolinhos e arroz doce. Os formandos, atentos, ouvem a explicação de Eugénia Luís, a formadora, que lhes ensina as técnicas e como devem manusear os alimentos.
“Inicialmente, ensinamos aos alunos qual é o perfil do cozinheiro, como devem realizar a higienização dos utensílios de cozinha ou como preparar os alimentos. Depois ensinamos a confecionar alguns pratos mais simples, como por exemplo sopa, pratos de peixe e carne ou sobremesas, porque é uma mais-valia para eles e torna-se mais interessante”, afirmou Eugénia Luís.
Ricardo Tinoco, um dos formandos, conta que escolheu o curso de auxiliar de cozinheiro por ser “uma mais-valia” e admite que tem evoluído desde que iniciou a aprendizagem.
Neste curso, os alunos têm a oportunidade de ter uma formação em contexto de trabalho onde adquirem mais conhecimento. No caso de Ricardo Tinoco, teve a possibilidade de trabalhar no restaurante Práxis, onde aprendeu a confecionar francesinha e “fazia o que fosse preciso”. Quando terminar o curso, “gostava de ficar a trabalhar na área”.
O mesmo acontece com Anabela Machado, aluna do curso que, no futuro, “gostava de ficar a trabalhar na restauração”.
Anabela decidiu inscrever-se nesta formação após a irmã, que tinha frequentado a turma anterior, lhe transmitir a curiosidade pela cozinha.
“Estou a gostar do curso e cozinha é aquilo que eu gosto. Tenho evoluído e, além disso, ganhei mais confiança em mim, que era algo que me faltava e já me sinto à vontade para fazer várias coisas na cozinha”, frisou a formanda.

Objetivo é integrar no mercado de trabalho
Este é um projeto financiado por fundos europeus, inserido no Programa Operacional de Inclusão Social e Emprego, onde os alunos frequentam 2.900 horas de formação profissional que tem como principal objetivo “a afirmação no mercado de trabalho”, referiu Ana Bernardo, coordenadora do projeto de Qualificação de Pessoas com Deficiência ou Incapacidade (QPDI).
A coordenadora explicou que “a APCC já tem um longo trabalho no âmbito da formação profissional, e é um trabalho que não pode deixar de ser valorizado pelas várias partes interessadas e pelo espírito de missão das pessoas que fazem parte do projeto pensado com um fim: a integração no mercado de trabalho”. “O envolvimento de todos num único processo tem o objetivo de dotar os formandos com competências a nível pessoal, social e profissional”, acrescentou.

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