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O “Senhor Râguebi” com pa(i)trocínio do Licor Beirão

19 de às 09h42
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DB/Foto de Miguel Almeida

No princípio era o futebol. Para o jovem José Redondo, os anos de aprendizagem intensa e rica com José Carranca Redondo, o admirado e saudoso pai, foram também de chutos na bola nos escalões de formação do Lousanense.
Mais tarde, já em Coimbra, onde se aventurou a estudar engenharia, dividiu o futebol com o râguebi, na Académica. Curiosamente, os treinos com a esférica deram jeito para a fama de exímio pontapeador da oval, enquanto médio de abertura, que deixou nome no mítico relvado do Universitário.
O râguebi entrou-lhe na vida. Mas ficou espaço para muito, ainda. Desde logo, para a empresa, que o pai levara a níveis de inovação e de valor impensáveis, para a época. E também para a família, embora tivesse de recorrer à habilidade negocial para convencer a mulher, Fernanda, a aceitar que fins de semana a eito fossem dedicados à modalidade. Como fez? Simples, guardou para si os sábados e domingos de outubro a maio e “cedeu” à mulher os restantes, de maio a outubro.
Mas voltemos atrás. Em 1973, já então braço direito do pai na empresa, José Redondo “trocou” 16 horas de trabalho na fábrica da Quinta do Meiral por um horário de Educação Física na vila. O objetivo era um só: levar o râguebi para a escola e criar um clube. E não fez por menos: logo na aula inaugural, a 25 de outubro de 1973, no primeiro tempo da manhã, às 08H30, levou consigo a oval que os antigos companheiros da Académica lhe tinham mandado para o Ultramar. Tinha nascido o Rugby Clube da Lousã.
No princípio, os treinos fizeram-se num batatal junto à escola. Depois, mudaram-se para um outro, bem inclinado e com um poste de eletricidade no meio. Entretanto, o industrial lousanense Jorge Carvalho emprestou ao clube um terreno, onde José Redondo e a malta do RCL colocaram postes e onde se jogou durante uma década. Em meados dos anos 80, a paixão jogada passou ainda por um campo, em areia com postes, onde hoje é o quartel da GNR.

Inauguração do estádio

18 de abril de 1987 foi outro dia marcante para o RCL. José Redondo e o então presidente da câmara, Horácio Antunes, inauguraram o estádio relvado que, hoje, é um dos poucos do país exclusivamente para a prática do râguebi. Sim, porque ali “não entra, nem entrará jamais, uma bola de futebol. O futebol, onde entra, toma conta de tudo e eu quero deixar um exemplo na Lousã”, garante o empresário.
Atualmente, o Estádio José Redondo é o epicentro do râguebi, na Lousã. Ali se treina e joga, mas ali também vive uma mão- -cheia de jogadores, em condições de fazer inveja a clubes de muito maior dimensão.
Alguns destes atletas são oriundos da Argentina e da África do Sul. Vem de longe a tradição de recrutar no Hemisfério Sul…
É isto e muito mais, mas mesmo muito mais, a paixão de José Redondo pelo râguebi. Uma paixão que alastrou a filhos e netos. “A modalidade é uma religião lá em casa”, graceja quem, a caminho dos 80 anos, ainda se junta, no campo, aos veteranos do RCL e que, todos os dias, faz umas dezenas de quilómetros de bicicleta. Sempre com a Quinta do Meiral e o negócio do Licor Beirão por perto.
Licor Beirão? Sim, o omnipresente licor de Portugal de que, por sinal, pouco se falou nesta reportagem. A verdade, porém, é que é negócio que dá e sobra para alimentar o entusiasmo pelo râguebi. O que José Redondo garante é que não dará nunca para a chico-espertice de uns quantos presidentes do futebol que “enterram” milhões nas equipas para ganhar dois ou três anos, mas depois vão-se embora e lá cai o clube nos distritais ou até na insolvência. “Mais do que dar dinheiro, dou ferramentas Mais do que ganhar campeonatos, quero é deixar obra”, orgulha-se.

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