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“Para primeiro concerto do ano não poderia começar numa sala mais bonita”

09 de às 19h59
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D.R.

Dino D’Santiago começa amanhã, em Coimbra, a sua digressão de 2023. As portas do Grande Auditório do Convento São Francisco abrem-se para receber o cantor. O português com origens cabo-verdianas falou ao DIÁRIO AS BEIRAS à cerca deste regresso a Coimbra.

Um dos primeiros concertos, se não o primeiro, que deu em Coimbra a solo foi no Salão Brazil, em 2014. Na altura, apresentou o seu primeiro álbum, “Eva”. O que recorda desse concerto?

Esse concerto, em 2014, que serviu de apresentação para o meu primeiro álbum, “Eva”, foi dos momentos mais marcantes para mim, na altura. O Salão Brazil era uma das salas mais desejadas pelo pessoal do movimento do jazz e do world music. Eram vários os artistas que lá iam tocar que eu admirava muito. Eu queria muito fazer parte do cartaz daquele espaço. Felizmente o concerto foi lindíssimo, com uma casa cheia de amigos. Consegui relembrar os meus tempos que vivi entre Santa Clara e o Porto. Foi, sem dúvidas, um dos momentos mais bonitos que passei na cidade de Coimbra. O Salão Brazil continua a ser uma sala mítica da cidade.

Quais as diferenças que vê desse Dino D’Santiago para o de hoje?

Há muitas diferenças. Estes quase 10 anos de experiência fizeram-me aprender muito. Eu encontrei-me enquanto artista e consegui desenvolver um crescimento a nível espiritual e pessoal. Neste momento, o Dino tem muito mais Mundo. Desde 2014 já foram muitas as cidades que consegui visitar. Agora sinto que sou um artista que homenageia as minhas ilhas. Hoje em dia sou um artista que se sente muito mais concretizado. Em 2014 só sonhava em com o Mundo todo que havia à minha frente.

 

“Eu sou um fã particular das festas académicas. Como quase todos os artistas, acho que a Queima das Fitas de Coimbra é quase como uma consagração”

D.R.

 

Mais tarde atuou duas vezes na Queima das Fitas de Coimbra, uma em 2019 e outra no ano passado. Como é que foram esses concertos na festa académica?

Eu sou um fã particular das festas académicas. Como quase todos os artistas, acho que a Queima das Fitas de Coimbra é quase como uma consagração. Eu lembro-me que, quando pertencia aos Expensive Soul e atuámos em Coimbra, foi um delírio para a banda toda. Quando tive o meu momento, senti mesmo que era “A” queima das fitas. Falei muito com a minha agência e disse-lhes mesmo que era um local onde queria muito atuar, mas sendo sempre um processo natural. Não queríamos forçar nada, queria que a minha carreira me conduzisse até lá. Acabou por acontecer no melhor ano que eu tive até hoje, em 2019. Esse concerto na queima foi o primeiro que consegui levar a estrutura toda da banda como queria. Fui muito acarinhado, com muitas pessoas ao meu redor a contar as minhas músicas.

E o ano passado?

Em 2022 foi a confirmação de que realmente as pessoas tinham gostado do meu concerto. Fui novamente recebido com calor tremendo que me deu muito gosto. Até a própria conferência de imprensa foi bonita. Ainda assim, a de 2019, foi mais bonita porque as pessoas pouco me conheciam e queriam perceber o meu projeto.

“É impossível não trazer os meus ritmos do funaná e do batuque, mas tentei trazer um reportório muito mais intimista e calmo para que o concerto fosse mais justo para todos”

D.R.

 

Como é que vê este regresso a Coimbra?

Em dezembro tive num concerto no Convento São Francisco como convidado da Teresa Salgueiro e foi lindíssimo. Lembro-me de estar a olhar e pensar “Uau, daqui a dois meses sou em que vou estar nesta sala maravilhosa”. Já vi a bilheteira e reparei que está muito bem composta. Espero muito que as pessoas consigam absorver das canções e da história que eu vou narrando nelas. Estou a preparar um concerto especial porque é o primeiro do ano de 2023. Vou trabalhar o amor, o amor-próprio, o amor pelo próximo e o amor utópico. Estou muito entusiasmado. Para primeiro concerto do ano não poderia começar numa sala mais bonita. Vai ser especial.

O grande auditório do Convento São Francisco é um espaço em que os espetadores começam e veem o concerto sentados. É mais complicado dar um concerto nestas situações?

Eu confesso que para mim é sempre muito difícil quando dou concertos em salas. O meu concerto é muito forte no que diz respeito aos ritmos. O concerto torna-se difícil para as pessoas estarem sentadas. É a primeira vez que vou experimentar um concerto bem mais intimista e trabalhado para esta questão de ser uma sala com lugares sentados. Obviamente que também vou ter temas mais dançantes. É impossível não trazer os meus ritmos do funaná e do batuque, mas tentei trazer um reportório muito mais intimista e calmo para que o concerto fosse mais justo para todos. Coimbra vai servir de exemplo para o que eu farei ou não nesta digressão de 2023.

O que é que podemos esperar de um concerto de Dino D’ Santiago em 2023?

2023 vai ser o ano mais introspetivo dos meus últimos 10 anos. É um ano de muito recolhimento, de muita assertividade. Só vou a palcos onde quero realmente estar. Não vai ser um ano de muita experimentação, vai ser um ano de contacto direto com o público. As minhas redes sociais também vão mudar, quero documentar tudo o que o público faz. Sem o público nós não somos nada. As minhas partilhas vão passar a ser um reflexo do que as pessoas fizeram enquanto eu atuava em palco. O público passará a ser o verdadeiro artista.

“2023 não é um ano de disco, é um ano de escrever canções, mas também para me dedicar a outros projetos”

D.R.

 

Os anos da pandemia foram profícuos em lançamentos de álbuns, tendo lançado um em 2020 e outro em 2021.

Os anos de 2020 e 2021 foram anos de muito recolhimento. Consegui reencontrar um Dino que necessitava de parar para respirar e pensar em novas canções. À conta desse momento trágico da nossa histórica, foi possível reproduzir aquilo que os meus olhos e o meu coração foram sentido ao longo desses dois anos. Esses dois álbuns são os meus dois álbuns de eleição. Deixa-me feliz que esses dois discos, que foram cantados 80% em kriolo e 20% em português, conseguiram chegar às pessoas.

Para 2023 podemos esperar um novo álbum de Dino D’Santiago?

Em 2023 já estou escrever novas canções, mas não estou a pensar num álbum. Quero deixar fluir e descansar. Desde que 2018 que ainda não parei de lançar música. 2023 não é um ano de disco, é um ano de escrever canções, mas também para me dedicar a outros projetos.

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