Polo aquático: “Estamos a tentar realizar em Coimbra o Campeonato do Mundo Sub-18”
No distrito, que concelhos promovem a prática da natação?
Para além de Coimbra, Cantanhede, Condeixa-a-Nova e Lousã, Arganil começou há pouco tempo, tal como Penacova, que tem uma piscina interessante. Essa promoção parte essencialmente das autarquias e da existência de, pelo menos, uma pessoa que seja residente e que fomente essa dinâmica. Nós temos um conselho de treinadores, que conta com o Gonçalo Neves e a Maria Gil, que me apoiam nessa parte técnica. Temos essa ligação aos clubes, ou seja, a parte da direção técnica da ANC dá apoio a qualquer uma das necessidades de um clube. Por exemplo, o Gonçalo criou o Louzan Natação, na Lousã. Era um clube mais pequeno e hoje, se calhar, é o melhor que nós temos ao nível da ANC. Ou é uma aposta direta da autarquia ou é uma pessoa da terra com o gosto pela modalidade, ligado ao desporto, que quer desenvolver.
Quais são os principais apoios que a Associação tem recebido?
A ANC é financiada a 100 por cento pela FPN. Depois temos os apoios camarários. Nós participamos no Regulamento Municipal de Apoio ao Desporto (RMAD), como as outras associações a nível da cidade de Coimbra. Dinamizamos ainda eventos e, com isso, tiramos algumas receitas. Nesses eventos, as instalações desportivas são cedidas pela respetiva autarquia de forma gratuita, mas não há dúvida que temos muito que agradecer à Câmara Municipal de Coimbra.
Como tem funcionado a ligação entre as escolas e a AN Coimbra?
As escolas têm aulas de natação próprias, dentro da educação física. Na grande parte das vezes, os professores de educação física trabalham em alguns clubes e os próprios fazem essa ligação/captação nas escolas. Entre os clubes e as escolas, normalmente, há alguns protocolos para permitir a prática da modalidade. A ANC dá todo o apoio necessário aos clubes para esse tipo de dinâmicas, mas tem que ser o próprio clube a fazer essa ligação.
A ANC funciona como “uma ponte” entre clubes, escolas, FPN e autarquias?
Sim. A ANC será um membro aglutinador daquilo que são os problemas e as necessidades dos clubes junto da autarquia, porque é mais fácil um vereador falar com um representante de 20 clubes, do que estarem 20 pessoas numa reunião. Nem sempre todos estão de acordo e tem que haver um consenso para depois levarmos as ideias e as necessidades junto da FPN e da autarquia e vice-versa, trazer as imposições e visões da FPN e da autarquia para junto dos clubes.
O Centro de Alto Rendimento da Natação em Coimbra veio potenciar a modalidade?
Sem dúvida. Coimbra é a cidade, para mim e para grande parte daqueles que estão na natação, que oferece melhores condições para a carreira dual.
Aqui está uma das melhores universidades de Portugal, temos uma das melhores piscinas do país, para não dizer a melhor, e ainda há uma proximidade entre elas que é fantástica. Para além disto, a nível nacional, Coimbra tem uma ligação rápida ao Porto e está perto de Lisboa.
O Centro de Alto Rendimento (CAR) é uma ideia antiga e boa, que foi difícil de concretizar. Desde 2017, quando viemos para ANC, que a criação deste centro sempre foi algo a que nos propusemos. Existiam vários nadadores no distrito que pediam essa criação. Era algo de difícil materialização porque necessitava de um entendimento entre a Câmara de Coimbra, a Universidade de Coimbra, o Instituto Politécnico de Coimbra e a FPN. Entre nós, FPN e clubes, a vontade era mútua. O entendimento entre a autarquia e a reitoria nunca foi fácil, mas, felizmente, foi possível. Era um projeto que vinha desde 2017 e a ANC tem muito a agradecer a este executivo porque foi possível celebrar esse protocolo entre todas as partes. Esse protocolo foi assinado em outubro do ano passado.
Que mais-valias traz essa estrutura para a modalidade?
Este Centro de Alto Rendimento permite ter sempre espaços para a ANC e a FPN fazerem a integração de todos os atletas bons e muito bons ao nível do distrito e, também, a nível nacional. Falamos de uma infraestrutura que já é uma referência a nível nacional.
2022 teve resultados de grande nível de alguns nadadores do distrito. Que importância atribui a essas classificações?
É um fator de motivação para atrair novos praticantes. Quanto melhores forem os resultados dos nossos atletas, mais incentivos e mais apoios podemos pedir, quer às autarquias, quer às entidades externas. Isso ajuda a desenvolver a modalidade e a ter mais projeção mediática.
Camila Rebelo, Diogo Cancela, Diogo Matos Ribeiro ou Gabriel Lopes são referências a seguir para chegar ao mais alto nível?
Sem dúvida que são referências, não só como atletas, mas como pessoas. Nós não podemos esquecer, e eu fui praticante durante vários anos, que estamos aqui não só para formar grandes estrelas, mas, acima de tudo, para formar pessoas, homens e mulheres melhores e mais bem capacitados. A natação, para além de ser um desporto saudável, é uma escola de vida, uma escola de organização, de determinação.
Em Tóquio, o distrito de Coimbra teve a representação de três atletas, dois nos Jogos Olímpicos e um nos Jogos Paralímpicos. Espera aumentar este contingente em Paris 2024?
Em 2024 espero que Coimbra e a ANC tenham a melhor representação de sempre nessas duas competições. Temos grandes expetativas, claro. O Gabriel, a Camila, o Diogo Cancela, o próprio Diogo Ribeiro, que nunca dissociamos de Coimbra pois foi aqui que a “máquina” foi construída.
Para além da natação , o polo aquático ou as águas abertas são também apostas da ANC?
Sim, também são apostas. O polo aquático tem vindo a ter algum crescimento. A nossa maior dificuldade em relação ao polo aquático é a necessidade de uma piscina desimpedida, sem pistas. Há aí uma gestão difícil com as autarquias e com os outros clubes. O que se tem feito é uma divisão das equipas de polo aquático entre os dois tanques de 25 metros na Piscina Rui Abreu e Piscina Luís Lopes da Conceição. Nos últimos horários do dia, o polo aquático tira as pistas e faz esse treino.
Em relação às águas abertas, também já foram conseguidos alguns resultados de relevo?
Sim, já tivemos grandes resultados. Temos nomes de referência, todos integrados no projeto da FPN para as águas abertas, projeto do qual somos parceiros. As infraestruturas são o ponto essencial, porque até aqui era só a vontade dos atletas, sem condições.
Quais são as principais organizações que a ANC já tem asseguradas para este ano??
Coimbra vai ter dois campeonatos nacionais de natação pura, um do escalão absoluto e outro de formação, falamos de março e junho/julho, e estamos a tentar, junto da autarquia – e deixava aqui o repto ao presidente e ao vereador – a organização de um Campeonato do Mundo Sub-18 de polo aquático. Estamos a tentar realizar aqui essa competição. Aguardamos o feedback da autarquia, porque este tipo de competições têm custos avultados. Era muito importante para Portugal e para Coimbra.
Quais são as principais ambições para este ano?
Queremos continuar o trabalho que temos vindo a desenvolver na ANC. Há pouco tempo adquirimos uma nova cronometragem eletrónica, queríamos outros meios para melhorar e incentivar à participação nas provas. Queremos realizar as competições que disse, em conjunto com a FPN e a Câmara Municipal de Coimbra. Se conseguirmos fechar 2023 com essa prova de polo aquático era fechar a época com “chave de ouro”. Por último, queríamos encontrar uma ligação com todas as autarquias que têm clubes na ANC. No fundo, juntar todos os vereadores e, em conjunto, arranjar algumas sinergias para melhorar o que é a natação distrital. Por exemplo, criando parcerias entre autarquias ou realizando estágios em diferentes concelhos. Era interessante existir este encontro.


