Sindicato de Todos os Profissionais da Educação vai manter greve
O Sindicato de Tod@s @s Profissionais da Educação (STOP) anunciou ontem, no Auditório do Centro Hospitalar da Universidade de Coimbra (CHUC), que vai manter no segundo período de aulas uma greve convocada por tempo indeterminado e organizar uma marcha pela escola pública, em Lisboa em 14 de janeiro.
“Vamos encher Lisboa. Fomos 25 mil [na manifestação de 17 de dezembro], mas agora vamos ser muito mais. Vai ser algo inédito, e, mais uma vez, em defesa da escola pública, por nós, pelos nossos alunos e pelo pessoal não docente, já que esta luta tem de ser de todos”, disse ontem aos jornalistas o presidente do sindicato.
“A mais importante aula vai ser escrita em janeiro”
Na conferência de imprensa, André Pestana disse que a “mais importante aula vai ser escrita em janeiro”, numa iniciativa em que serão convidadas as figuras públicas que apoiam a luta dos docentes pela defesa da escola pública, “que tanto tem sido esquecida e espezinhada nos seus direitos”.
“É uma luta pelo país”
O presidente do STOP sublinhou que “não se trata de uma luta corporativa, mas sim uma luta pelo país, porque a escola pública de qualidade é um desígnio nacional e estamos a exigir justiça e respeito”.
O sindicato reclama respostas a questões como a possibilidade de os diretores poderem escolher professores sem terem em conta a graduação profissional; a ausência de contagem de tempo de serviço que esteve congelado; as quotas de acesso aos 5.º e 7.º escalões; e a penalização na aposentação após 36 anos de serviço.
Por outro lado, frisou André Pestana, existe também a questão da precariedade dos professores contratados e o aumento salarial, “já que os docentes perderam 20% do poder de compra desde 2009”.
“Esta classe tem sido roubada no seu tempo de serviço, porque aqui ninguém recebe indemnizações de meio milhão de euros para conseguir logo outro tacho e ninguém tem 21 anos e consegue receber mais de 4.000 euros”, ironizou, aludindo a casos recentes na sociedade portuguesa.
Pré-avisos para todo o mês de janeiro
Estes motivos levaram o STOP a decretar uma greve “por tempo indeterminado” – iniciada em 09 de dezembro e mantida até dia 16 – com retoma anunciada para o início do 2.º período letivo, com pré-avisos entregues para todo o mês de janeiro.
“O STOP desde sempre mostrou total disponibilidade para discutir o que consideramos respeitar à maioria da classe”, disse o dirigente sindical.
Segundo André Pestana, “o ministério (da Educação), de uma forma intransigente, tem demonstrado que, além de muito nervoso, não está efetivamente a querer negociar”, por isso, os professores estão dispostos a encontrar novas formas de luta.


