Terrenos “bloqueados” e valor das expropriações em Ceira motivam críticas
O Parque de Material e Oficinas (PMO) do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM) vai começar a ser construído no próximo mês de fevereiro. A garantia foi dada pelo presidente da Metro Mondego (MM), João Marrana, numa sessão realizada na Junta de Freguesia de Ceira. A 1.ª fase arranca com um mês de atraso, como reconheceu o responsável, mas que deverá estar pronto até março de 2024.
Período temporal que, se tudo correr dentro do previsto, significará o início do funcionamento do sistema no troço suburbano: Alto São João (Coimbra) – Serpins (Lousã). O resto do traçado – todo ele urbano –, e caso não haja “nenhuma derrapagem”, entrará em funcionamento no último trimestre do próximo ano. “Certezas absolutas não tenho, só no fim do primeiro trimestre de 2024. Como diria o grande filósofo João Pinto, prognósticos só no fim do jogo”, afirmou aos jornalistas.
Neste momento, as duas obras que se encontram “no caminho crítico”, ou seja, suscetíveis de fazerem alterar estas datas, são “o PMO e os sistemas técnicos”. “As duas coisas são necessárias para o sistema poder funcionar”, frisou.
Abertura para conversar
Sobre o parque em Ceira, o projeto irá ocupar uma área de dois hectares em Sobral de Ceira e inclui edifícios, acessos e espaços para os veículos da operação do SMM. Um investimento de 10 milhões de euros e que criará uma centena de postos de trabalho diretos. Apesar dos benefícios para a freguesia, como recordou o presidente da câmara José Manuel Silva, a vereadora Ana Bastos e o presidente da junta Fernando Santos, há quem tenha muitas críticas a fazer ao processo de expropriações, o valor pago pelos terrenos e o facto de alguns terrenos estarem “bloqueados” desde 2009. Os moradores lesados fizeram ontem ouvir-se na sessão realizada na junta, tendo o presidente da MM mostrado disponibilidade para “tentar reduzir os impactos negativos” criados pela anterior gestão.
Em relação aos terrenos “bloqueados”, e que não foram contemplados neste projeto, os titulares pediram o levantamento desse “ónus” para poderem ser comercializados. Uma hipótese que não agrada à vereadora Ana Bastos que, na sessão, defendeu a manutenção da atual reserva de solo no Plano Diretor Municipal que está em revisão. “Avançar com a expropriação é a melhor solução”, defendeu a autarca, mas como fez questão de recordar o presidente da SMM, essa situação ainda irá demorar “algum tempo” a ser resolvida.
A sessão serviu ainda para anunciar que o primeiro autocarro elétrico deverá chegar em novembro deste ano e que, no próximo dia 18 de janeiro, está prevista a apresentação da futura estação de Coimbra-B no salão nobre da câmara.


