Trail: André Rodrigues em busca do melhor mundial de sempre
Como estão as sensações a um mês do mundial? Confiante?
A época começou um pouco atípica. Os meses de fevereiro e março foram difíceis, porque me ressentia de alguns problemas por ter começado demasiado rápido para o Campeonato Nacional de Ultra Trail…
…tudo à conta da recuperação de uma lesão do ano passado, certo?
Sim, estive imenso tempo parado porque parti umas costelas. Voltei a treinar forte a um mês do Nacional [em janeiro] e o corpo ressentiu-se.
Achava que, depois, ia descansar, mas apareceu-me a oportunidade de ir disputar uma prova que nunca tinha feito, e em que nos pagam para correr, e fui. Depois tinha tudo marcado para a Transgrancanaria… Então, em março, tive mesmo de fazer reabilitação.
Em teoria penso que dará para chegar em pico de forma ao Mundial se não tiver nenhum revés. Mas, este sábado, ainda tenho de fazer a Transvulcania, uma das provas mais importantes do mundo e que dá apuramento para o UTMB [Ultra-Trail Du Mont Blanc]… e faz parte do meu trabalho.
Vai para o melhor mundial de sempre?
Sim, este será o quarto, mas as coisas não têm corrido bem. Tenho acabado sempre lesionado.
Quero fazer o melhor resultado de sempre. Só queria fazer um mundial sem problemas e render tudo o que o meu corpo deixa.
Como gere o calendário?
A marca que represento, a SCARPA, só me pede para estar no UTMB e no Lavaredo, seja em que distâncias for. Este ano, por exemplo, estou inscrito nos 80 km do Lavaredo, que é duas semanas depois do mundial…
É fácil conciliar os objetivos pessoais, com os da marca e da Seleção para estar no Mundial?
É quase impossível. Para ir ao mundial estou a pagar. Estou a deixar de ganhar muito dinheiro. Temos de mudar muita coisa se queremos ter bons atletas no futuro.
Mudar o quê? Os critérios de seleção?
Sim, mas também os critérios de restrição competitiva e os apoios.
Um dos nossos melhores atletas da atualidade, o Miguel [Arsénio, campeão nacional de Trail] não vai ao Mundial porque vai correr uma prova que lhe pode dar muito dinheiro.
Ir ao Mundial é muito giro, mas, no final, mesmo que as coisas corram muito bem, levamos uns likes no Facebook…
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