GeralPenela

Veados e javalis obrigam ao abandono de terrenos agrícolas

06 de às 09h26
0 comentário(s)

DB/Foto de Miguel Almeida

“Eu tinha uma quinta que era um paraíso, que se tornou num autêntico inferno”. É desta forma que Joaquim Bernardino, residente e proprietário de vários terrenos na localidade de Carvalhais, na União das Freguesias de São Miguel, Santa Eufémia e Rabaçal, descreve o estado atual da sua quinta, após, ao longo de várias noites, veados e javalis, destruírem as vedações, as produções e as árvores, deixando bastante prejuízo.
“As pessoas constroem vedações e tentam proteger os terrenos, mas os animais conseguem sempre entrar e acabam por estragar tudo. Plantamos hoje, amanhã já está destruído”, contou o agricultor. “Como não há apoios, as pessoas acabam por desistir e abandonam os terrenos porque torna-se impossível cultivar algo devido à presença destes animais”, acrescentou.
Segundo Joaquim Bernardino, “todos os campos agrícolas a nascente da autoestrada 13 (A13) estão abandonados. No outro lado da A13 ainda não se vê tanto”.
Joaquim afirma que a presença destes animais começou no início dos anos 90 e que daí para cá o número de javalis e veados tem vindo a aumentar na região. Estima que existam cerca de três mil veados em toda a Serra da Lousã.

Milhares de euros de prejuízo

Como forma de controlar a entrada destes animais nos terrenos, Joaquim e outras pessoas da aldeia já investiram em material para conseguir proteger as suas produções agrícolas. No entanto, devido ao facto de serem animais de grande porte acabam por conseguir ultrapassar a vedação.
“Num terreno com quatro mil metros quadrados tenho mais de 25 mil euros de prejuízo”, disse Joaquim Bernardino. “Para terem uma ideia, plantei 63 oliveiras, neste momento restam apenas 12”, contou.
Tozé Bastos, proprietário de vários terrenos na mesma localidade, afirma que “as pessoas querem vedar os terrenos mas não tem apoios”. Este proprietário admite que é importante criar medidas de controlo e de contenção da ação dos animais.
Ambos os agricultores referem que não têm nada contra os animais, mas “alguma coisa tem de ser feita.
Os terrenos de Joaquim Bernardino situam-se ao longo da A13 e, devido a essa situação, já se registaram alguns acidentes com veados.
Instituições não
resolvem o problema
Joaquim Bernardino já tentou, por diversas vezes, pedir um encontro com os responsáveis do Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), mas que não obtém resposta.
“Ligo para o ICNF de Coimbra, mandam-me ligar para Viseu, ligo para Viseu, mandam-me ligar para Castelo Branco e andamos sempre nisto”, contou.
A Câmara Municipal de Penela está a par da situação, mas, segundo Joaquim Bernardino, ainda não conseguiu dar resposta aos problemas. “Houve uma reunião com o município e com a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) ,mas não se deu seguimento a nenhuma solução”, contou.

Município procura mitigar problema

Contactado pelo DIÁRIO AS BEIRAS, o presidente do Município de Penela, Eduardo Santos, sabe que o problema existe mas que “não é fácil de resolver”. “Esta é uma questão que se agravou durante a pandemia porque não houve um controlo da densidade e deu-se um aumento do número de animais”, disse.
Eduardo Santos admite que “este é um problema que tem de ser resolvido com as várias entidades, como por exemplo com as concessões das zonas de caça, mas que não há uma solução milagrosa para acabar com o problema.
“Queremos fazer algo para que os agricultores não abandonem os terrenos”, afirmou Eduardo Santos, mostrando-se solidário com a situação, devido ao facto de que um terreno abandonado será também uma preocupação na época dos incêndios.

Autoria de:

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Geral

Penela