Opinião: “Ele aí está, de volta”
Refiro-me, naturalmente, ao SARS COV2, o vírus causador da Covid 19. Não sei se está de volta ou se nunca de cá saiu. O certo é que o número de infeções está a subir exponencialmente e o número de mortes também. Será a sexta vaga? As causas desta inesperada e surpreendente reviravolta estão ainda por definir. Mas a verdade é que talvez sejamos todos culpados de desprezar e minimizar um inimigo que, desde o princípio mostrou que vinha para a guerra (não como aquele outro que faz a guerra e continua a dizer que apenas quer fazer uma limpeza)!
Eu estou agora à vontade para falar disto. Até há duas semanas atrás, vangloriava-me de ter escapado por entre os pingos da chuva. Todos à minha volta, incluindo a minha família, filhos, netos, sobrinhos, etc, tinham tido o Covid e eu não. Apesar de praticamente não me furtar às reuniões de família, com cuidado, é claro. Então porque não? Porque sou mais forte que os outros e o ‘bicho’ não querer guerra comigo?
Eis que, subitamente, ele veio medir forças. Na semana passada, eu estava para sair para o estrangeiro, numa missão científica com que eu andava a sonhar há mais de 2 anos, desde que a pandemia aqui chegou e fez parar tudo. O país para onde ia viajar obriga a um teste obrigatório. Fui nas calmas, sem receios. Veio o resultado: POSITIVO. Nem queria acreditar. Estava muito bem, sem qualquer sombra de sintomas. Não, não pode ser, algum engano. Repeti o teste, noutro lado, e …. positivo! O ‘bicho’ apanhou-me? Não, deixei-me apanhar pelo ‘bicho’. Baixei a guarda.
Foi isso que aconteceu ao País. Baixou a guarda, baixámos todos a guarda. Baixou o governo que, obviamente pressionado por muitos entendidos e alguns ‘artistas’, levantou as restrições demasiado cedo ( 21 de abril). Retirar as máscaras nas escolas (talvez houvesse alguma razão para isso), no futebol, nas discotecas e nos bares, nos restaurantes e nos hotéis, nos espaços comerciais. Tudo logo a seguir á páscoa, com toda gente a viajar para o Algarve ou para as suas terras, naturalmente sem máscara e com muitas reuniões de família.
Foram-nos dizendo que apenas terminava a obrigatoriedade da máscara, enquanto a DGS recomendava o seu uso “para todas pessoas com idade igual ou superior a dez anos, sempre que se encontrem em aglomerados em espaços fechados”! Alguém ligou a isso? Alguns sim, a maioria não. Eu, por acaso, ou talvez não, continuei a usá-la, mas não sei se com o mesmo cuidado que tinha antes…
É certo que a máscara nos incomoda, alguns até lhe apontam consequências graves para a saúde, mas se era “a grande protetora” há um mês atrás, deixou de sê-lo agora? Tudo, diz a Ministra da Saúde, apesar de o País “não está no patamar ideal, dado que a incidência em território nacional ainda é elevada”! Precipitámo-nos, é claro. Alguns dos tais especialistas já estão a aventar a hipótese de voltarmos atrás. Mas já não vamos a tempo de evitar as dezenas de milhar de infeções e algumas centenas mais de mortes das últimas semanas.
Por razões de carater profissional, passei os últimos 50 anos com a máscara dependurada no nariz. Confesso que já estou cansado dela. Mas não serão apenas as máscaras (a sua ausência) as culpadas. O nosso próprio comportamento social talvez até tenha mais a ver com o que está a acontecer. A guerra ainda não tinha acabado e voltámos as costas ao inimigo. E isso, historicamente teve consequências trágicas.
Daqui vos apelo, pois, a voltarem a pegar nas armas e a combater… com a máscara, mesmo que continue a não ser obrigatória, especialmente nos espaços fechados e muito concorridos. E não nos esqueçamos de que a vacinação foi o principal fator de atenuação dos efeitos da doença. Os que não se vacinaram ou não completaram a vacina façam-no o mais rapidamente possível.
Se ainda se não encontraram com o vírus, esperem por ele, protegidos, porque ele continua por aí à vossa procura!
PS: afinal, não passei entre os pingos da chuva, mas também não me molhei; apenas uma ligeira ‘constipação’. Fui um daqueles casos chamados assintomáticos. Muitos outros não tiveram a mesma sorte. Não confie!


