Opinião: Onde exista uma vontade, existe um caminho
Nos últimos dois anos estive em Israel e no Líbano. Visitei Tel Aviv, Jerusalém e Beirute. Fui com poucas certezas e voltei ainda com mais dúvidas sobre tudo o que vi e vivi naquela região do Mundo.
Aproveitei estas viagens para ler e me informar. Conhecer a história é neste caso absolutamente essencial para tentarmos compreender o que ali se tem passado nos últimos dias, décadas e até séculos. A origem dos problemas é bem remota. Na última semana intensifiquei as leituras e, ainda assim, não me parece que se possam ter certezas quanto à questão de fundo. Um exemplo prosaico: basta ler a última edição do jornal “Expresso” e ver quatro artigos de opinião com outras tantas visões sobre a mesma realidade, confirmando assim a complexidade política, social e cultural do momento que estamos a viver no Médio Oriente.
Mas, apesar de tudo, há algumas evidências: o Hamas é grupo terrorista e, portanto, tudo quanto pratique é absolutamente inaceitável. Ao cometer um ato bárbaro sobre o povo de Israel – matando jovens inocentes, decapitando mulheres e mantendo centenas de reféns que usa como escudo humano – deu ao governo israelita a legitimidade para se defender e atacar os terroristas. Sublinho aqui os terroristas e uma vez mais a distinção (como acima) com os Palestinianos. Não existe qualquer justificação para o terror e atrocidades cometidas por movimentos terroristas, que aliás abusam do seu próprio povo, e, portanto, não podem existir dúvidas, à luz do direito internacional, no reconhecimento da legitimidade em defesa de Israel.
De igual modo, deve ter-se presente o direito humanitário internacional e a proteção de todos os civis, sejam Israelitas ou Palestinianos. Todos os inocentes (e são milhões) que “vivem” em Gaza devem ser protegidos e apoiados. Ao terrorismo do Hamas não se deve responder com a dizimação indistinta de vidas humanas.
A paz naquela região depende em grande medida da concretização efetiva e da coexistência de dois Estados, porém infelizmente esta guerra veio atrasar ainda mais esse desiderato. Em grande medida, porque os extremos de um lado e do outro da barricada se impuseram ao bom senso e aos moderados. E esta é uma lição para o mundo!!


