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Opinião: “Poluição”

18 de às 11h17
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Na semana passada, a SIC emitiu uma reportagem sobre o impacto do consumismo desenfreado do primeiro mundo em África. No caso vertente, o tema foi sobre o destino final da roupa que já não usamos. Essa roupa é enviada para África sem qualquer tipo de pré-seleção. Milhares de peças, que não estão em condições de serem utilizadas, acabam por ir parar às lixeiras, às praias e ao mar. Reportagem idêntica poderia ser feita sobre o lixo eletrónico. Ou sobre os resíduos plásticos. Apesar de serem problemas com origens e características diferentes, a consequência é a mesma: todos contribuem para que o Gana seja um dos países mais poluídos do mundo. Os grandes centros urbanos, na costa Atlântica, são as zonas que contribuem para que o País tenha essa infeliz classificação. O resto do território escapa a este flagelo, tendo, inclusive, um potencial turístico incrível. Abordarei este assunto numa das próximas crónicas.
Voltando ao tema da poluição: a lixeira, na área de Agbogbloshie, em Accra, é o maior depósito de lixo eletrónico do mundo. Milhares de eletrodomésticos, provenientes, maioritariamente, da Europa, são depositados neste local, onde cerca de 40.000 pessoas, diariamente, desmontam, recuperam, pesam e revendem peças e metais extraídos dos aparelhos e dos montes de lixo eletrónico. Esta atividade tem, obviamente, consequências terríveis para a saúde dos habitantes locais e para o ambiente. A zona em questão é conhecida por “Sodoma e Gomorra”, designação que traduz, claramente, o inferno que é viver ali.
Os plásticos constituem outro cancro ambiental. Nos supermercados locais, a quantidade de sacos de plástico consumida é tão absurda que nos sentimos a regressar ao século passado. Os funcionários que dão suporte ao cliente na embalagem e arrumação das compras (sim, isso ainda existe!) chegam a utilizar, por vezes, quando se trata de produtos frescos, um saco de plástico por item. Considerando que a reciclagem está a dar ainda os primeiros passos por estes lados (apenas 5% dos resíduos plásticos são reciclados), a maior parte dos saquinhos e embalagens acaba, invariavelmente, no mar.
Esta chocante realidade está associada a complexos fatores socioeconómicos, culturais e políticos que não terão uma solução fácil e imediata. Serão precisas décadas para resolver tão graves questões ambientais que não são só problema do Gana ou de África mas sim de todo o Mundo.

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