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Opinião – Mais uma vitória de Napoleão!

25 de às 12h17
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A Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra celebrou o 63.º aniversário (completado a 9 de Maio) na passada sexta-feira, aproveitando para festejar também os 94 anos de um dos seus mais antigos Associados, Polybio Serra e Silva.
Professor Catedrático Jubilado da Faculdade de Medicina e antigo dirigente estudantil, foi um dos protagonistas da “Tomada da Bastilha II”, em 1954, que esteve na origem da construção da actual sede da AAC e do Teatro Académico de Gil Vicente.
Na festa informal que decorreu na sede da AAEC (na Rua Pinheiro Chagas, 94 ), participaram cerca de uma centena de pessoas. A maioria eram antigos estudantes, de várias gerações. Mas também alguns dos actuais, de que destaco Daniel Aragão, Vice-Presidente da Associação Académica de Coimbra, Eduardo Ribeiro, Presidente da Tuna Académica da Universidade de Coimbra, e Matias Correia, Dux Veteranorum.
Presente também o Vice-Reitor João Nuno Calvão da Silva, que tem sido incansável no estímulo e no apoio à Rede de Antigos Estudantes de Coimbra.
Mas é justo que realce a presença de um outro antigo estudante de Coimbra, o eng.º Napoleão Amorim, não só por ser o mais veterano dos presentes, com uns magníficos 98 anos, mas também por ter sido a “estrela” da tarde, graças à excelente forma com que continua a cantar o fado de Coimbra.
Acompanhado por Simão Mota, um dos mais credenciados guitarristas das novas gerações, e pela viola do veterano Humberto Matias, Napoleão Amorim deliciou os presentes com a sua voz potente e cristalina.
Muitos dos que tiveram a felicidade de o ouvir, classificaram aquele momento como mágico, não poupando elogios ao excelente timbre do cantor nortenho.
Napoleão Amorim foi um dos fundadores da Associação Académica de Espinho, em 1938, quando tinha apenas 14 anos, e ali começou a cantar num pequeno orfeão, sendo escolhido para solista graças à qualidade da sua voz.
Em 1942 entrou para o 1.º ano da Faculdade de Ciências do Porto, mas como a maior parte dos seus amigos viera estudar para a Universidade de Coimbra, ele decidiu fazer o mesmo. Aqui completou o 2.º e o 3.º anos dos Preparatórios de Engenharia, tendo ingressado no Orfeon Académico de Coimbra, como solista e membro do grupo de fados. Feitos os dois anos, teve de regressar ao Porto, para concluir Engenharia, uma vez que ainda não existia essa licenciatura em Coimbra.
A verdade é que a excelência da sua voz levou a que o regente do Orfeon Académico de Coimbra, maestro Raposo Marques, continuasse a chamá-lo para as digressões do Orfeon. Espanha, Madeira, Cabo Verde, São Tomé, Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil – eis algumas das paragens onde actuou com o grupo da Universidade de Coimbra.
Já nos anos 80 fez parte de um grupo de músicos de Coimbra que foi actuar ao Japão.
E passou a integrar o grupo de fados “Coimbra Eterna”, da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra no Porto.
Agora voltou a Coimbra, para se associar às comemorações do 63.º aniversário da AAEC e dos 94 anos do Prof. Polybio Serra e Silva.
E demonstrou que os seus 98 anos não o impedem de continuar a ter uma voz excelente – como salientaram quantos o ouviram e aplaudiram na festa da AAEC, mas também os muitos milhares que em poucas horas viram as gravações colocadas nas redes sociais, e nelas deixaram centenas de comentários elogiosos.
Enfim, um exemplo para as novas gerações, não só pelo timbre da voz (pois esse é um dom que só a alguns é concedido), mas também pela gentileza, simplicidade e simpatia e pelo seu amor a Coimbra e à Academia.
Bem-haja por tudo isso, eng.º Napoleão Amorim!
E que continue a (en)cantar por muitos mais anos!

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