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Opinião: “Intraempreendedorismo”

13 de às 12h25
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A palavra pode assustar, mas não é mais que a adaptação da expressão ‘’intrapreneur’’. Significa empreendedor interno, ou seja, empreendedorismo dentro dos limites de uma organização já estabelecida. ‘’Intrapreneur’’ é a materialização do conceito que expressa a importância de aproveitar os talentos da própria organização para encontrar oportunidades de inovação. O princípio base é que todos os elementos tenham liberdade para inovar e experimentar.
Os exemplos de inovações que surgiram desta forma são múltiplos: desde o tão popular Gmail ao botão de like do Facebook!
O empreendedorismo dentro das organizações pode ter um impacto muito positivo, mas nem sempre é simples a incorporar esta visão da inovação: os intraempreendedores têm a reputação de “abanar” o status quo e podem vistos como rebeldes ou mesmo como ameaças. Então, como podemos as empresas aproveitar o potencial inovador interno?
Numa organização, a mudança para esta abordagem passa por implementar processos que criem uma cultura de confiança, em que se incorpora o risco e que envolve todas as equipas. Alguns dos “mandamentos” apresentados no manifesto de Gifford Pinchot podem adaptados a qualquer organização ou empresa:
1. Intraempreendedorismo não é uma atividade solitária.
Quando se trabalha numa organização existem sempre pessoas com diferentes valências e capacidades. Promover a inovação dever ser verdadeiramente um “jogo de equipa”, por oposição à ideia de esforço e rasgo individual. Os desafios têm de partilhados e a cooperação entre setores ou departamentos deve ser estimulada como parte do processo.
2. Compartilhar mais amplamente possível as vitórias e o conhecimento.
A partilha pode mesmo ser a alma do sucesso, uma porta para o reconhecimento e para o fortalecimento da confiança. Ao reconhecermos a participação individual nas “vitórias” coletivas, pode ser a forma de convencer os mais resistentes incorporarem novas atitudes. O conhecimento também deve ser amplamente distribuído e acessível a todos.
3. Criar uma rede de mentores.
A criação e a manutenção de uma rede de suporte é importante para estimular internamente as ideias e os projetos. O papel da liderança é criar esta rede, por vezes informal, onde se fomente uma cultura de entreajuda para a “missão da inovação” sem estar a “pedir favores”. A partilha é a chave nesta missão.
4. É mais fácil pedir perdão do que pedir permissão.
É preciso perceber o contexto, saber pedir desculpa, aprender com os erros, melhorar e seguir em frente. Ser autónomo, proativo e responsável é fundamental para se ditar o ritmo nas organizações. A burocracia desacelera as organizações e por vezes é necessário irmos além do que era estritamente necessário, independentemente do cargo que ocupemos. Todos nós somos muito mais do que uma definição de funções e podemos diversificar esforços, derrubar barreiras e estabelecer pontes.
5. Ter sempre em mente os interesses da organização e dos clientes.
É para os clientes que trabalhamos; sem clientes não há negócio. Ponto final.
A matemática faz muita falta nas relações e para que estas não sejam jogos de soma nula, a inovação só faz sentido quanto é um somatório de 3 variáveis: win (empresa) + win (colaborador) + win (cliente). É só fazer as contas!
Este texto não termina sem um agradecimento a uma mulher extraordinária: Teresa Mendes.
Foi o trajeto ímpar da Professora Teresa Mendes ao “leme” do Instituto Pedro Nunes, que permitiu criar uma referência mundial no empreendedorismo e inovação, baseada no princípio da cooperação e em estabelecer pontes. Ao fim de 23 anos à frente do IPN, deixa um legado fantástico e uma cultura de verdadeiro intraempreendedorismo, assumindo riscos e construindo equipas de excelência. No seu estilo muito característico: sempre o de fazer, em detrimento de (ou “do”) “aparecer”, com um rigor e uma paixão que inspiram todos à sua volta. Foi um enorme privilégio trabalhar consigo.

 

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