Opinião: “O SNS da nossa aflição”
Fruto da péssima gestão da tutela temos vindo a assistir ao desmantelamento do SNS, com gravíssimo prejuízo para todos os cidadãos, utentes ou não.
A pandemia da Covid19 escondeu os múltiplos problemas que grassam o SNS, que passou a ser visto apenas na óptica da resposta à covid olvidando todas as outras doenças.
Médicos e enfermeiros têm denunciado a falta de condições dos serviços para assegurarem práticas e actos das leges artis, assinando, inclusive, declarações de desresponsabilização se, da falta dos recursos necessários, resultar a morte ou o mau tratamento de qualquer doente.
Em breve os tribunais estarão inundados de tragédias que fundamentam processos de responsabilidade médica, que irão durar anos a fio e sem que o Estado assuma as suas responsabilidades, como é habitual.
O que tem acontecido por todo o país no SNS é inadmissível.
Na passada 6.ª feira morreu um bebé alegadamente por falta de obstetras no Hospital das Caldas da Rainha, que tinha a urgência encerrada.
Braga, Setúbal, Santarém, Almada, Barreiro, S. Francisco Xavier, Beatriz Ângelo e Amadora-Sintra, todos com falta de médicos suficientes para assegurarem os serviços de urgência de obstetrícia e ginecologia.
Temos ambulâncias e VMER´s paradas por falta de médicos e até, pasme-se, de macas.
O caos está há muito instalado e é conhecido.
A tutela não faz nada, bem pelo contrário, como aconteceu, por exemplo, com a retirada da PPP que vigorava no Hospital de Braga e que estava a ter bons resultados.
Por puro preconceito ideológico, o Governo dá cabo do que está a servir bem as populações, em prol de uma estatização bacoca e com péssimos resultados à vista.
Temos um SNS em que a maioria dos médicos trabalha até à exaustão e ganha miseravelmente. E depois, nesse mesmo SNS, temos todo um mundo paralelo, de tarefeiros contratados, quase todos sem as qualificações e especialização necessárias para as funções que vão desempenhar, a ganharem à hora valores 5 ou 6 vezes mais elevados que aqueles que ali trabalham diária e nocturnamente.
O desiderato é bom de ver!
Pagamos mais impostos e temos um SNS muito pior.
E ainda nem estamos na época de férias, em que é consabida a dificuldade em organizar escalas de médicos.
O SNS está a rebentar pelas costuras, com problemas há muito conhecidos e denunciados e que a tutela não resolve.
Para que serve um Ministério da Saúde, pago com os nossos impostos – e se estamos esmagados por impostos! – se não consegue organizar, gerir e assegurar o regular funcionamento daquela que devia ser uma conquista civilizacional inigualável para qualquer sociedade, o nosso SNS?!
É inqualificável que o recurso aos cuidados médicos possa resultar numa tragédia, como aconteceu com o bebé que morreu numa urgência encerrada no Hospital das Caldas da Rainha.
A minha atividade na semana passada
– Intervim na apresentação e debate em Plenário do Projecto Lei que o PSD apresentou para que seja criado um novo Tribunal Central Administrativo Centro.
– Fui reconduzida para o Conselho dos Julgados de Paz, tendo sido ouvida na 1.ª Comissão da AR.
– Participei na Conferência Internacional “Children Of Prisioners – Europe 2022”, que teve lugar em Cascais.


