Opinião: “A geopolítica da reconstrução da Ucrânia”
A Suíça acolherá nos próximos dias 4 e 5 de Julho a conferência global Ukraine Recovery com o objetivo de formalizar o esforço internacional de apoio à reconstrução da Ucrânia. A conferência que ocorrerá em Lugano, cidade de influência italiana no sul, será segundo o Presidente da Suíça “o pontapé de saída internacional para o processo de recuperação na Ucrânia”. Contudo, ao mesmo tempo que esta iniciativa responde a uma emergência óbvia – o recomeço da Ucrânia – ela deixa implícito o reposicionar da Suíça na geopolítica de ajuda à reconstrução da Ucrânia, cujo palco referencial na Europa tem sido Bruxelas. A Suíça espera a participação de 41 países e 19 organizações internacionais, incluindo o Banco Mundial e as Nações Unidas, que receberam convites para a conferência. Apesar da agenda e lista final de participantes não serem ainda conhecidas, não se sabendo por isso quais as expectativas reais da comunidade internacional para esta conferência, é já evidente o risco de alguma tensão política nos bastidores da relação Suíça-UE. A presidente da Comissão Europeia não perdeu a oportunidade de ser cristalina, em solo suíço, quanto ao papel de liderança que a UE desempenhará na condução do processo de reconstrução da Ucrânia durante a sua participação no Fórum Económico Mundial (WEF). Com a Suíça a jogar o seu capital de neutralidade neste “pontapé de saída”, resta saber se esta será uma etapa relevante e complementar da frente liderada por Bruxelas, ou apenas uma simpática tentativa da Suíça chamar a si um palco global que Bruxelas não admitirá partilhar. De qualquer das formas, e independentemente de quem se sentará à mesa nesta conferência, todas as oportunidades para se avançar no processo de paz e reconstrução parecem poucas e não há tempo a desperdiçar com vaidades institucionais.


