Opinião: “Para quê o carro?”
A mobilidade, seja ela urbana ou interna entre as várias regiões de um País, é um dos principais critérios na análise da qualidade de vida das cidades e dos Países.
Uma das cidades que anda constantemente no topo dos rankings de avaliação de qualidade de vida é Viena, capital da Áustria. Uma cidade onde tive o privilégio de viver cerca de 5 anos, onde a mobilidade urbana anda perto da perfeição, começando pela rede de transportes públicos constituída pelo metro, metro de superfície, elétricos, autocarros e comboios suburbanos. Um conjunto de meios de transporte que nos põe em qualquer sítio da cidade num curto espaço de tempo. Nos meus primeiros meses a viver na capital austríaca, ficava incrédulo com as queixas das pessoas pelo facto de, por exemplo, um comboio demorar 5 minutos a chegar à estação. Pensava que era uma piada. Mas não, eram mesmo queixas genuínas. O problema é que, passado um ano, eu também me queixava do mesmo, esquecendo-me rapidamente dos tempos de espera dos transportes públicos portugueses.
Engane-se quem pensa que os bilhetes são caros. Para residentes, o custo do passe anual que dá acesso a todos os transportes urbanos é de 365 Euros, ou seja, 1 Euro por dia.
Para além dos transportes públicos, há uma oferta generosa de serviços partilhados de trotinetes, bicicletas elétricas e não elétricas para usufruir na extensa rede de ciclovias existente na cidade. Existem ainda serviços partilhados de veículos , à semelhança dos que existem em Lisboa, que são sempre uma alternativa a quem quer matar saudades de conduzir.
Viena foi a única cidade onde vivi até hoje em que não é necessário ter carro. Não só não é necessário, como não queremos ter carro. Os custos de ter um carro são altos e não se usufrui dele tantas vezes como se pretende. Há constantes dificuldades de estacionamento e acaba -se por utilizar os transportes públicos por serem mais rápidos e, obviamente, mais baratos. Viver numa cidade onde não é necessário ter carro é um luxo. É um alívio não ter que despender um valor absurdo na compra de um carro.
Olhando para Coimbra, a realidade é completamente oposta. Apesar de nos últimos anos o número de ciclovias e dos serviços partilhados de trotinetes e bicicletas terem aumentado, continua a haver a necessidade de se utilizar o carro para quase tudo. As linhas dos SMTUC servem bem os principais pólos empregadores (Universidade, Hospitais e Câmara Municipal), mas deixam muito a desejar em várias zonas da cidade. Resta-nos esperar que a introdução do metro ligeiro de superfície, como meio de transporte público principal, tenha como consequência uma melhoria substancial na mobilidade em Coimbra.


