Opinião: Inverno nos trópicos
Nas últimas duas semanas, Portugal enfrentou uma onda de calor extremo, enquanto, no Gana, estamos agora na época das chuvas. O mais parecido a um “inverno”. Um inverno entre aspas que não implica sequer vestir um casaco ou darmo-nos ao luxo de desligar o ar condicionado. A chuva que se faz sentir aqui, junto à linha do equador, tem uma intensidade de precipitação como eu nunca vi noutras latitudes. Não há rede de águas pluviais, comportável para o erário público, que valha a esta gente, tal é a quantidade absurda de água que cai do céu. Numa destas noites, a chuva caíu a um ritmo constante até de manhã, provocando constrangimentos de toda a espécie na cidade de Acra. Inundações em várias zonas da cidade, impediram que milhares de pessoas se pudessem deslocar para os seus locais de trabalho. Casas destruídas, outras inundadas, bens materiais danificados, uma completa desgraça para a população mais pobre que vive nestes bairros onde as infraestruturas básicas nunca foram desenvolvidas.
O “inverno” também chegou às finanças públicas do Gana. Há duas semanas, o Presidente do Gana, através do Ministro das Finanças, solicitou ao Fundo Monetário Internacional (FMI) o início das negociações sobre a potencial ajuda financeira do referido organismo ao País. Ao contrário do ocorrido em Portugal em 2011, o pedido de ajuda financeira foi efetuado contra a vontade do Ministro das Finanças. É dos poucos que continua a acreditar que as medidas de austeridade, impostas por si nos últimos meses, seriam suficientes para evitar a entrada do FMI no País. É a segunda vez, em 7 anos, que o País recorre a este mecanismo de ajuda. Em 2015, o anterior governo, liderado pelo que é hoje o partido da oposição, solicitou também a intervenção do organismo internacional. Na altura, o actual Presidente escreveu o seguinte tweet: “Pela primeira vez na história, um país rico em petróleo, com cerca de cinco anos de produção de petróleo, está a pedir um resgate do FMI.”. Envelheceu bem esta crítica…
Aqui espera-se que os “invernos” acabem quanto antes, mas parece-me que os “tempos frios” nas finanças estão para fica


