Geralopiniao

Opinião: Gerir bem o que sobra se faz favor!

25 de às 12h08
0 comentário(s)

Chegou o verão. O tempo bom. O tempo da praia, das festividades (desde os grandes festivais de verão às típicas festas da aldeia). O tempo que chama pelo descanso e pela diversão.
Dois anos de privação quase total de todo o tipo de diversão geraram um consequente sentimento que este ano há que retomar os normais hábitos deste período do ano e, se possível for, acrescido de uma compensação que permita “recuperar o tempo perdido”.
Na actividade industrial, os tempos que vivemos são de retoma, pelo menos para a maioria dos sectores de actividade. Uma retoma que está a exigir uma adaptação muito rápida das empresas no que à capacidade produtiva diz respeito (face ao pico da pandemia). Também aqui é possível dizer que há vontade de “recuperar o tempo perdido”.
Um problema que surge nestas vontades é que são pouco compatíveis. Menos compatíveis se tornam quando, paralelamente, surgem outras condicionantes que resultam na mesma consequência: a ausência dos colaboradores do local de trabalho. A Covid-19 ainda regista alguns casos que originam isolamentos. As consequências estimadas para o médio prazo da Covid-19 começam também a dar de sinal de si e as baixas médicas por limitações físicas e psíquicas dos colaboradores é também mais evidente. A retoma dos serviços “normais” de saúde e educação levam a agendamentos (anteriormente suspensos) que, quando multiplicados pelos membros do agregado familiar sobre responsabilidade de um colaborador, facilmente se tornam na necessidade deste se ausentar vários dias ao trabalho. Motivos legítimos. Quanto a isso, independentemente dos meus interesses e funções, é obvio que reconheço a legitimidade das ausências por consequência dos assuntos anteriormente referidos. Mais ou menos legítimo e em certa medida compreensível é também a normal adaptação que é necessário que se faça no aumento da carga produtiva sobre cada colaborador, agora que a actividade industrial se retoma. O ser humano rapidamente se adapta e a adaptação em baixa originada pela redução da actividade industrial no pico da pandemia, deixou hábitos. Há agora que os reverter e puxar novamente pela produtividade. Também daqui depende o restabelecimento das margens de exploração.
Não havendo ainda dados oficiais disponíveis que permitam fazer comparações com períodos homólogos do período pré-pandemia, sujeito-me a que de futuro possa ser contrariado no que digo, mas parece-me evidente que os valores históricos de 5,9 dias de ausência ao trabalho por colaborador por ano em 2018 serão (muito) amplamente ultrapassados no ano de 2022. A realidade da minha actividade diz-me isso, na estrutura onde me incluo e na generalidade daquelas com quem nos relacionamos.
Largamente noticiado é também a escassez de mão de obra disponível. Ora, se por um lado aumenta a necessidade produtiva e por outro somamos o período do típico gozo de férias, um aumento do absentismo e muita dificuldade em contratar, o que é que sobra? Sobram literalmente as sobras, que serão inevitavelmente sacrificadas com acréscimo de produção e, na maioria dos casos, horário extra. Alheio a tudo isso está um mercado que quer ser fornecido atempadamente. Consequência directa? Mais trabalho para dividir por menos pessoas. Isso ou perder negócios.
Que haja, ao nível da gestão, a arte e engenho para fazer com as sobras o suficiente para não perder negócios, sem que as sobras de hoje (devido à excessiva sobrecarga) se tornem nos ausentes de amanhã. Em suma, na realidade com a qual lido, atravessamos o momento mais complicado desde que ocupo funções de gestão de recursos humanos…e já lá vão 15 anos. Melhores dias virão certamente.
A todos os leitores deixo votos de boas férias!

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

Autoria de:

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Geral

opiniao