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Opinião: Portugal não é um país para novos – vamos emigrar todos?

25 de às 12h11
2 comentário(s)

Portugal não é um país para velhos. Este tema já foi título de crónicas e assunto para bastantes polémicas. Na verdade, Portugal não é mesmo um país para velhos. O montante das reformas é arrepiante, a oferta de serviços e cuidados para a terceira idade é bastante medíocre e insuficiente, e a sociedade não está preparada para uma pirâmide de idades invertida.
Mas, este país também não é para novos!
E hoje vou falar de novos! Vou falar daquelas pessoas que estão a entrar no mercado de trabalho ou estão nos primeiros anos das suas carreiras profissionais. Como se sentirão estes jovens em Portugal? Que vontade terão de cá continuar?
Depois das famosas declarações de Passos Coelho e de António Costa a mostrarem o caminho da emigração aos jovens, temos agora alguns programas de incentivo ao regresso de emigrantes, cujo sucesso tem sido nulo. Mas a pergunta é esta: em Portugal 3 em cada 4 jovens, ganham menos de 950 euros; mais, as recentes quedas na produtividade mostram que a tendência aponta no sentido de uma potencial degradação salarial – há alguma boa razão para ficar em Portugal?
Todavia, a par da questão salarial, vem o problema fiscal. Na verdade, acima de 1 000 euros por mês, um acréscimo salarial de 100 euros só acrescenta 58 euros líquidos ao salário que o trabalhador recebe. Mas, se for acima de 2 000 euros, este acréscimo de 100 euros, reduz-se a um aumento líquido de 43 Euros. E é melhor ficar por aqui! Mas, no meio desta desgraça fiscal, se falarmos das exceções, dos jovens mais bem remunerados, com salários-médios altos, a situação pode ser desastrosa. A carga fiscal para além de ser absurda, leva à comparação internacional. Assim, vou usar o exemplo concreto de um jovem com salário na casa dos 60 000 euros ano, que esta semana me demonstrou que o seu salário líquido em Espanha valeria mais 2 000 euros, na Alemanha mais 4 000, na Suécia mais 6 000 e nos Estados Unidos, mais 10 000. E deixou-me com a seguinte pergunta: há lugar para mim em Portugal?
Ou seja, ficar ou não ficar em Portugal é uma decisão que afeta todos os jovens, independentemente do seu nível salarial. Se é um jovem “mileurista”, ou menos (que é a situação de 80%dos jovens portugueses), questiona-se como vai comprar uma casa ou pagar uma renda, o que vai fazer com um filho quando mais de 50% das crianças não têm vagas em creches gratuitas. Mas, se for um jovem bem remunerado, com boas oportunidades de carreira, o que será a situação residual, questionar-se-á sobre o custo fiscal de estar em Portugal e sobre as dificuldades de ascender socialmente e de comprar uma boa casa, cuja tributação a torna verdadeiramente proibitiva.
Portugal não é um país para novos. Os jovens em Portugal saem de casa aos 30 anos, o 5ª país da Europa com a idade de saída mais elevada. Mais, o cenário em que vivem vai no sentido claro do empobrecimento. Portugal tem 1 milhão de portugueses a receberem pacotes de ajuda urgente, 2 milhões de portugueses pobres e 4 milhões em risco ou a caminho de serem pobres. Afinal, porque haveremos de ficar em Portugal?
Neste cenário, onde ficam os desejos e apelos para o aumento do salário médio? Na verdade, não estou nada convencido de que não haja nada a fazer. Num ano em que a economia pode crescer acima de 6%, que a inflação pode ficar pelos 8 a 10% e que a arrecadação fiscal, em alguns impostos, vai acima dos 20% de crescimento, é difícil convencer-nos de que nada pode ser feito. Na verdade, este cenário de inflação não vai mais que permitir ao governo fazer brilharetes orçamentais e cumprir com as suas agendas próprias, pagos com o sacrifício de 10 milhões de portugueses que sofrerão um enorme empobrecimento, podendo perder o equivalente a mais de um salário por ano. Bom, no final, empresas e famílias já receberam 2% do PRR…
Para finalizar, Portugal não é certamente um país para novos. Não nos surpreende por isso que os nossos filhos, os nossos estudantes, os nossos jovens se questionem: há lugar para mim em Portugal? Não é melhor emigrarmos todos?

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2 Comentários

  1. ACoelho diz:

    O Expresso noticia hoje que as familias mais jovens perderam mais de 50% da sua riqueza líquida, desde 2010! É uma loucura!

  2. Manuel Gis diz:

    Bom texto e grandes verdades. Os números apresentados desmentem a propaganda do governo. Estamos cada vez mais próximos da cauda da europa, mais pobres, não obstante a exagerada carga fiscal.

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