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Opinião: O Estado da Nação

26 de às 11h30
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Em Portugal, segundo os últimos dados do INE, a taxa de risco de pobreza e exclusão social (AROPE) foi de 19,8% em 2020, cerca de 2 milhões de portugueses.
O indicador AROPE foi criado pela Rede Europeia de combate à pobreza e à exclusão social e junta a taxa de risco de pobreza, a taxa de privação material severa e a intensidade laboral per capita.
A taxa de risco de pobreza continua a ser mais elevada nas mulheres e nos grupos das crianças e das pessoas idosas, registando-se uma subida nos reformados.
Também os desempregados e os agregados familiares com crianças apresentam maiores vulnerabilidades e exposição a situações de pobreza.
A privação material é um importante indicador para aferir a carência e a vulnerabilidade da população, incluindo itens como a falta de capacidade para fazer uma refeição de carne, peixe ou vegetariana pelo menos de 2 em 2 dias, a incapacidade de fazer face a uma despesa inesperada ou de, por ex., pagar uma semana de férias por ano.
Também é medida a taxa de privação severa das condições de habitação, entre muitos outros indicadores.
Estamos no Séc. XXI, na Europa, com contínuas ajudas da UE e continuamos a ter cifras impressionantes de cidadãos em situação de pobreza extrema.
O Poverty Watch Report 2021 discrimina a crua realidade e que os portugueses, infelizmente, conhecem.
O país vai empobrecendo e é facto notório que o crescimento de Portugal é bastante inferior à média dos restantes países da UE, com um rendimento per capita que nos põe na cauda da Europa.
Sendo certo que o Governo teve que enfrentar a pandemia, também é certo que os outros países também a enfrentaram e a recuperação económica destes foi, em média, de 18,3%, ou seja, mais do dobro dos 7,1% do crescimento acumulado do PIB português.
Asfixiados por uma carga fiscal brutal e que não deixa crescer a economia, temos ainda os piores serviços de sempre.
Basta ver o caos nos aeroportos, também provocado pela propalada extinção do SEF e da correspondente falta de efetivos nas forças policiais.
Para já não falar no soçobrar do SNS, com urgências obstétricas fechadas que causam o terror nas grávidas e seus familiares.
Entre os muitos hospitais incapazes de servir a população temos o IPO de Lisboa, instituição fundamental na prestação de cuidados de saúde numa área nevrálgica, a adiar cirurgias por falta de enfermeiros e com os cuidados intensivos reduzidos a metade.
Os problemas do SNS não se resolvem com medidas avulsas como o recém aprovado regime remuneratório transitório, para os médicos assegurarem as urgências no Verão e que é suposto vigorar durante 6 meses.
E quando tiver decorrido esse período? Criam-se novas comissões para estudar e acompanhar os problemas?!
E em Setembro, com o regresso às aulas, vamos ter falta de professores e muitos horários por completar, com prejuízo grave para o futuro das novas gerações e a contínua desvalorização da carreira docente.
Sabemos que a inflação sentida no cabaz alimentar é muito superior em Portugal ao da média europeia.
Veja-se que o índice do pão e cereais em Portugal aumentou 15,2% desde Setembro passado.
Com a subida da taxa de juro muitas famílias e empresas vão ter dificuldades em obter crédito e em cumprir as obrigações bancárias, com particular repercussão nos custos do crédito à habitação.
Numa população empobrecida e com a classe média esganada com impostos, a resistência para enfrentar as adversidades é muito escassa.
E assim está a nação. Em mau estado.
E veja-se que os ventos correm de feição ao PS!
Tem uma maioria absoluta na AR e o histórico PRR para alavancar o país.
Desperdiçar estas oportunidades é imperdoável.
Há que executar as reformas necessárias e tirar Portugal da cepa torta.

A minha atividade na semana passada:
– Coordenei os trabalhos do PSD na 1ª Comissão;
– participei no grupo de trabalho dos metadados;
– intervim em Plenário no debate sobre a admissão de PJL que previa pena de prisão até aos 65 anos; e
– tomei posse na AR no Conselho dos Julgados de Paz, em renovação de mandato.

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