Opinião: Verão feminista
Quase todos os anos, no Verão, “nasce” uma nova luta feminista. Há uns anos, em Espanha, foi notícia a acérrima defesa de algumas feministas em prol das galinhas, que diziam serem violadas pelo galo e que, por isso, deviam ser libertadas desse jugo que as impedia de serem livres. Este ano, durante um fórum em Grenoble do partido europeu Europe Ecology – The Greens (EELV), a deputada “eco-feminista” Sandrine Rousseau defendeu a necessidade de mudar as mentalidades e acabar com o símbolo de virilidade masculina associada ao barbecue. Defende ela que o facto de os homens grelharem carne no barbecue é um mal a ser erradicado, pois representa uma demonstração de virilidade, uma compulsão masculina de comer carne e de subjugação feminina. Tudo isto depois de o seu partido também ter sugerido acabar com as piscinas privadas.
A brigada anti-barbecue acusa os homens de serem responsáveis pelas alterações climáticas, na medida em que alegam estar mais do que provado que estes comem pelo menos o dobro da carne das mulheres. Em dissonância, o partido comunista veio a terreiro defender os homens, afirmando que se come carne de acordo com as possibilidades financeiras, e não conforme o género. O líder Fabien Roussel chegou mesmo a convidar publicamente toda a esquerda a ignorar Os Verdes e a associarem-se ao tradicional barbecue promovido na festa anual comunista, em Setembro. Em sentido contrário, o jornal Libération defendeu que um bife grelhado num barbecue é um sinal de virilidade masculina que deve ser questionado, especialmente depois de um Verão que se revelou desastroso do ponto de vista climático.
Sandrine Rousseau reagiu aos ataques de que foi alvo, argumentando que a comida masculina emite mais 41% de gases que provocam efeito de estufa do que a das mulheres, numa longa tradição de maldades provocadas pelos homens à sociedade, a começar pelas guerras e, agora, também com este crime barbecue, uma violência que afecta as alterações climáticas. Declarou mesmo que a virilidade masculina causa mortes, e por isso deve ser colocada em questão numa França onde três quartos das habitações têm um grelhador exterior, um país verdadeiramente adepto do barbecue, só superado na Europa pela Alemanha.


