Opinião: Transformação digital do tecido empresarial
Sendo indispensável aumentar o valor das exportações relativamente ao PIB, o desenvolvimento de competências digitais nas empresas assume especial relevância, através da concessão de incentivos e da promoção de ações que impulsionem as empresas nacionais para novo padrão de conceção e competitividade. O potencial transformador do digital, para induzir uma nova abordagem dos negócios, perceciona-se na Europa, e é densificado através de um forte investimento, ao nível europeu, nas empresas, cujo objetivo é facilitar a sua mudança para o digital. As operações financeiras baseiam-se em medidas e ações que concretizam o apoio e estímulo à digitalização das empresas, sobretudo das PMEs, que representam o grosso do tecido empresarial e do emprego em Portugal. A transformação digital do tecido empresarial baseia-se nos programas Indústria 4.0, cujas entidades coordenadoras fundamentais são a COTEC e o IAPMEI. A COTEC Portugal é uma associação empresarial para a inovação, e o IAPMEI, IP – a Agência para a Competitividade e Inovação.
Os programas indústria 4.0 abarcam múltiplas medidas, tais como:
Todas estas medidas visam contribuir para modificar a transformação digital do tecido empresarial, e todas elas estão direcionadas para darem corpo à indústria 4.0, que é, sobretudo, impulsionada pelas tecnologias inovadoras que impactam profundamente nos sistemas de produção e nos modelos de negócio das empresas. A indústria 4.0 agrega um conjunto de tecnologias disruptivas – Big Data, advanced analytics, cloud computing, Internet das coisas – que, através das interligações das máquinas, dos sistemas de produção e dos equipamentos, motivam as empresas a criar redes inteligentes ao longo de toda a cadeia de valor, em ordem a controlar e comandar, de forma independente, os processos de produção. A mudança é a lei da vida. E aqueles que olham apenas só para o passado e para o presente irão certamente perder o futuro, como disse John F. Kennedy. Neste sentido, os gestores devem começar a preparar as suas empresas aceleradamente para esta transformação digital.
Relativamente aos benefícios esperados, todos eles são muito vagos, não são quantificados, e apontam múltiplas medidas para o desenvolvimento da indústria, dos centros de investigação, dos recursos nacionais e participação em projetos internacionais. Complementarmente, pretendem converter os trabalhadores do interior em profissionais de tecnologias de informação. Por fim, os Digital Innovation Hubs funcionam como uma loja one-stop-shop (loja de garagem) para ajudar as PME a adotarem tecnologias digitais promovendo a inovação e a transição digital dos processos de negócios.
Trata-se, mais uma vez, de um conjunto de benefícios de caráter qualitativo, não identificáveis nem quantificáveis, metodologia que se considera contrária aos princípios orientadores adotados para a elaboração do plano de ação, dado não ser possível monitorizar e responsabilizar os diversos agentes incumbidos do trabalho, porque as mercês esperadas são vazias de conteúdo, o que impede a monitorização dos resultados e dos impactos. Aconteça o que acontecer a responsibility accounting, mais uma vez, não irá funcionar, ou assumirá um papel modesto relativamente às grandezas financeiras a investir e a monitorizar.


