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Opinião: What “timing” is it?

19 de às 11h34
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Estimados leitores. Espero que todos tenham tido a oportunidade de disfrutar de umas férias recuperadoras.
Se o normal período de férias nos permite, por norma, um resfriar das preocupações, este ano não foi tanto assim. Ainda que, do ponto de vista das pessoas ligadas à tomada de decisão nas nossas empresas, possamos ter aliviado um pouco a monitorização dos problemas, a dimensão e a instabilidade dos mesmos este ano não terão permitido à maioria um desligar pleno. Até que o tenham conseguido, a retoma da normalidade coloca-os sem amenizações, de novo, em cima da mesa.
Empresas que, na maioria dos casos, se encontram num processo de recuperação e consolidação da recuperação pós-pandemia, continuam a ter que lidar com as consequências de uma guerra na Europa, uma das maiores taxas de inflação quer no País quer à escala global dos tempos mais recentes e uma grave crise energética que parece não ter solução.
Recentemente tivemos conhecimento, por divulgação da nossa governação, dos resultados da execução orçamental do primeiro semestre de 2022. Record´s a todos os títulos. Record na cobrança de quase todo o tipo de impostos cobrados e valores que enchem o nosso ministro das finanças de orgulho em termos de excedente orçamental. Se todos reconhecemos facilmente que face ao período homólogo (com a actividade económica a ser brutalmente afectada pela pandemia) o normal é registar valores superiores, a dimensão dos resultados da actividade fiscal, quando comparada com o período pré-pandemia, assume contornos preocupantes (crescimento da receita em 14% face a 2019). E digo preocupantes porquê? Porque evidenciam um governo que lucra despreocupadamente com o sacrifício e preocupações do seu povo. Quando a receita fiscal supera largamente as previsões da própria governação e a divulgação de medidas de apoio que menorizem as dificuldades das famílias e das empresas tardam em aparecer (numa governação de maioria absoluta recorde-se) algo não está bem. Em alguns países da Europa há apoios a vários níveis em vigor desde o início do ano. A Alemanha, por exemplo, está de momento a aplicar já o terceiro pacote de apoio às famílias e empresas. E nós por cá?
Ao dia 05 do presente mês, o primeiro-ministro António Costa apresentou um pacote composto por 8 medidas com um valor global de 2,4 mil milhões de € para o apoio às famílias. A 15 também do presente mês o conselho de ministros aprovou o plano extraordinário de apoio às empresas que foi publicamente apresentado pelo ministro da Economia e do Mar, António Costa e Silva, com um valor global de 1,4 mil milhões de €.
Não vou falar sobre a dimensão ou sobre o tipo de apoios. Para que a análise aos valores ou à tipologia do apoio seja fiável, é necessário que se conheça mais sobre os mecanismos que controlarão a atribuição dos apoios anunciados. Mais ainda no que aos apoios às empresas diz respeito. Voltarei a este tema, muito provavelmente, num futuro próximo. De momento vou-me centrar apenas e só num ponto: O timing de actuação.
Queremos fugir da cauda da Europa. Queremos empresas fortes e capazes de se internacionalizar. Queremos empresas nacionais a pisar e a dar cartas nos palcos internacionais. O que é que fazemos a nível governativo para o promover? Reagir (não é acção, é reacção) no apoio às nossas empresas mais tarde que os outros… 6, 7, 8 e mais meses depois. A meu ver, tão ou mais importante que o como e quanto, será o quando.
Acho que é tempo de perceber, definitivamente, que se arrancarmos sempre depois, dificilmente conseguimos chegar primeiro. Sim, é muito uma questão de timing.

*Por decisão pessoal, o autor do texto não escreve segundo o novo Acordo Ortográfico.

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