Opinião: Transição em marcha lenta
Em linha com o acordo de Paris, a Suíça pretende ser neutra em termos climáticos até 2050. Mas o caminho para lá chegar está difícil e alvo de um enorme e caloroso debate dentro e fora do parlamento helvético, com a proposta para uma nova lei climática – introduzia o princípio do poluidor-pagador – a ser recentemente rejeitada nas urnas. Os argumentos sobre os custos potencias da transição energética para as famílias pesaram obviamente na balança, com 21 dos 26 cantões a rejeitar a proposta. Agora o governo helvético apresentou as linhas gerais de uma abordagem alternativa que permita ao país prosseguir o mesmo caminho de transição e descarbonização. O novo projeto “dispensa novos impostos e, em vez disso, depende de incentivos eficazes que são complementados por subsídios e investimentos direcionados”. O objetivo continua a ser reduzir para metade as emissões de gases com efeito de estufa até 2030. As temperaturas na Suíça a aumentar ao dobro do ritmo da média global e os seus glaciares alpinos correm o risco real de desaparecer até ao final do século. A poucas semanas da COP27, o resultado pouco ambicioso deste debate público na Suíça é demonstrativo do gap existente em muitos outros países entre as metas globais e a predisposição real da sociedade para perseguir, em tempo e escala úteis. O governo vai investir CHF 4,1 mil milhões na renovação de edifícios, na modernização das infra-estruturas de transportes e noutras medidas entre 2025 e 2030. Parte do dinheiro será gasto na construção de uma rede de pontos de carregamento eléctrico para veículos e na modernização das frotas de transporte público com veículos mais sustentáveis. No início desta semana, o maior importador de automóveis da Suíça, AMAG, disse que iria eliminar gradualmente os veículos movidos a combustíveis fósseis até 2040.


