Opinião – Cacofonia!
Vivemos um tempo em que nada se percebe.
A começar por uma guerra, que é convencional, ou seja decorre de uma invasão e organiza-se em batalhas. Mas que também é híbrida porque é capaz de infligir danos de vária ordem em territórios estranhos ao cerne do conflito.
O grau de incerteza que daqui decorre impõe a necessidade de um discurso público claro e em linha com as principais preocupações do momento.
Os nossos governantes oferecem-nos precisamente o contrário.
Adivinha-se escassez de energia e os incentivos são ao consumo e não à poupança. Sofre-se uma pressão inflacionista e distribui-se por igual não resolvendo o problema de ninguém.
Fala-se em taxar lucros extraordinários e o foco vai para o sector mais problemático deixando sossegadinho quem nos vai ao bolso todos os dias no supermercado. Ou há alguma razão para o Kg dos limões estar a 2 euros e meio??
Mas, mais impressionante ainda é a forma como o governo se tem desdobrado em intervenções sobre os grandes projetos de investimento.
Como se não houvesse uma nuvem no horizonte recomeça o pingue pongue do novo aeroporto de Lisboa. Setenta milhões de euros depois (em estudos para todos os gostos) lá vamos voltar a estudar tudo de novo. Como se não houvesse uma nuvem no horizonte apresenta-se a primeira fase do TGV . São mais de 4 000 milhões de euros, dizem-nos. Para logo em seguida lermos que este número tem mais de dez anos e vai seguramente ser revisto em alta.
De caminho implode-se o projeto de uma ponte a ser estudada desde 2018 e assumem-se indemnizações a 7 concorrentes que estavam prestes a apresentar as suas propostas.
Quanto a projetos sobre a nova versão uns esquissos toscos foi tudo o que se obteve .
Curiosamente na mesma semana a CCDR-N fez publicar um estudo de viabilidade sobre a reabertura da Linha do Douro (entre Pocinho e Barca D’Alva) que conclui pela obrigatoriedade de execução da linha tendo em conta as taxas de rentabilidade associadas.
Alguém ouviu uma palavra sobre isto?


