Opinião: O OAF morreu, viva a Secção de Futebol!
Sem rodeios, e sabendo de antemão que haverá quem não goste de o ouvir, por muito que nos custe, a Académica, na sua versão de Organismo Autónomo de Futebol, pura e simplesmente chegou ao seu fim.
De uma vez por todas, sem ceder à cómoda tentação de tapar o sol com a peneira, saibamos não temer uma verdade incontornável e que, ao longo dos últimos anos, temos evitado encarar e admitir – a da falência, a todos os níveis, de um projeto que, nascendo fruto das circunstâncias de uma época conturbada, nunca deixou afinal de ter um caráter provisório.
Culpados pela situação a que o OAF chegou, há muitos. E não são apenas de hoje ou de ontem, são de há muito – ainda que, diga-se em abono da verdade, a culpa seja mais de uns que de outros.
Mas no fundo, se quisermos ser justos, podemos afirmar que os culpados somos todos os que, em nome da mera competição, e na justificada ânsia de vitórias e êxitos, cedemos muitas vezes no que toca aos princípios e aos valores que fizeram da Académica algo ímpar, permitindo assim que tudo o que nos distinguia dos outros fosse adulterado, hipotecado e esquecido. Mas também, sobretudo, porque permitimos (ou não conseguimos impedir…) que alguns, abastardando um mandato que lhes foi confiado, tivessem amesquinhado e enlameado a história de um clube que sempre teve e defendeu causas.
Acresce a tudo isto, a contínua e progressiva degradação do que é o ‘espírito academista’, o divórcio com uma Universidade que naturalmente enjeitou um OAF amorfo e sem personalidade, bem como o crescente declínio de uma cidade que foi progressivamente perdendo peso e importância até a nível regional.
A soma de todos estes fatores, aliado ao insucesso desportivo, à falta de exigência, à ausência de uma estratégia, e à inexistência de um projeto que preservasse e reforçasse a identidade da Académica enquanto clube nacional, tudo isso conduziu-nos ao lamentável estado que nos encontramos.
Hoje, da ‘velha’ Académica, pouco ou nada resta, além das camisolas pretas e de um emblema em losango, que ainda nos vão permitindo envergar. Por outras palavras, este OAF mais não é que, apenas e só, um clube igual a tantos outros que pululam por esse país fora, assim uma espécie de ‘Futebol Clube de Coimbra’ – pouco diferente dos Aroucas, dos Tondelas, ou dos Feirenses da vida.
Resumindo, e para usar uma terminologia infelizmente agora muito em voga entre os academistas: há muito que, mais do que financeiramente, o OAF está insolvente. Uma insolvência que se reflete ao nível desportivo, ao nível ético, ao nível de valores e de princípios, no fundo, uma insolvência que é sinónimo de morte.
Resta-nos agora, para continuarmos a ser ‘a Académica’, termos a coragem de dar um ‘passo atrás’ (ou será em frente?), ou seja, voltarmos a integrar a ‘velhinha’ Secção de Futebol, pondo termo a um OAF que hoje mais não é que uma mera e vã tentativa de ‘contrafação’ de algo que apenas poderá voltar a ser o que era no seio da Casa-Mãe, leia-se, na própria Associação Acdémica de Coimbra.
Não será certamente por isso que os verdadeiros academistas lá não estarão – seja em que divisão for. Mais do que uma bola dentro da baliza, pela minha parte prefiro poder dizer, sem vergonha e de cabeça levantada, tal como o meu Pai me soube sempre ensinar: sou da Académica!



Como será possível integrar a SF da Associação Académica de Coimbra se está própria está em competição com os seus Dirigentes, Treinadores e jogadores…?
A Bem da Académica….
Zetogaspar
Na verdade assim é. A AC-OAF está completamente moribunda e quem a colocou nesta situação nem sequer foi responsabilizado, e foi pena para que servisse de exemplo das gerações futuras. Coimbra precisa de um clube de futebol forte, apoiado pela academia e pela polução da cidade.