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Opinião: “A queda dos idosos”

15 de às 12h13
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A gestão da desresponsabilização custa muito mais dinheiro e é ineficiente, mas veste-se de segurança e acarreta padrões de verificação e repetição que pertencem às novas escolas de comando e gestão.

O idoso que cai da própria altura ou da cama, ou da cadeira num lar ou em casa e se mantém absolutamente igual ao que sempre foi, clinicamente sem sinais meníngeos, sem vómitos, sem alterações do comportamento, sem perda de actividades de vida diária, o que é melhor reconhecido pelos seus cuidadores, obviamente não está gravemente doente pela queda.

E se? A desresponsabilização acarreta-o para os hospitais onde há resposta neurológica e repetem o mesmo gesto que tiveram em todas as quedas prévias – exames, vigilância, novos exames e regresso ao domicílio onde a falta de pessoal, a dificuldade com ajudas técnicas, a inadequação do mobiliário e das casas de banho, a teimosia em tapetes, chinelos inadequados e outras casca de banana conduzem a nova queda.

E se? Lá vem de INEM e roda pelo mesmo conjunto de ineficiências protocoladas que retiram responsabilidade ao cuidador, ao profissional de saúde e à família.

E se? Ninguém quer responsabilidades porque a justiça está aí para distribuir arguidos com fartura e depois construir processos infindos que percorrem a primeira, a segunda, a terceira e as seguintes instâncias com as respectivas testemunhas e completa depressão do sistema. O idoso muitas vezes está excessivamente medicado, pode estar demênciado, pode estar em fim de vida, o que é optimo porque a percorreu inteira.

A não-aceitação do fim pelas famílias, o encarniçamento terapêutico de clínicos, a falta de coragem na decisão colegial do que é para investir e não é, o medo das explosões das redes sociais onde a praia se enche de emotivos vómitos sem qualquer racionalidade, de eus enormes que se tornam pedidos de construção de matilha, de narcisismos geradores de factores de emancipação (Eri Marty – le sex des modernes 2021 ), de gritos de ajuda disfarçados de direitos, tudo isso leva a uma completa demência das unidades de saúde onde hoje 15% (números meus por defeito) dos atendimentos são “queda de idoso”.

Repete-se um conjunto de coisas que não vai à fonte – aos lugares onde se cai, à razão porque se cai, ao formulário das boas práticas para não cair. Idosos teimosos que não querem a bengala, idosos com demasiadas escadas no caminho, casas de banho com degraus, roupa desajustada, sapatos inadequados, medicação obnubilante para travar a língua e os ímpetos futebolísticos.

As causas são muitas e não podem ser deitar, sentar, ver TV. O teu idoso não é um cão! O teu idoso deve viver, conviver, passear, aborrecer, contrariar. Cansa? E se? Pois é! Difícil é cuidar de pessoas porque elas quase nunca abanam o rabo! Nasce aqui outra crónica – e como subsiste o cuidador e como se pagam os apoios?

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