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Opinião: Contacto de emergência

04 de às 13h28
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Faço muitas viagens, seja de comboio ou avião, a título pessoal ou profissional. Os tempos parecem ter voltado à era pré-covid, e viajar sem restrições continua a ser prática corrente, mesmo tendo cada vez mais em consideração a pegada ecológica.

Vou a Portugal pelo menos 3 a 4 vezes por ano: normalmente, algures entre Março e Maio, no Verão, quando dá no Outono, e no Natal. (Passo bem sem estar “em casa” na Páscoa, nos aniversários – deles e meus – já me habituei a estar longe, mas não consigo conceber o Natal sem estar com a família!) Para além das viagens pessoais, realizo viagens em trabalho – em comboio quando possível, de avião nos restantes casos.

E foi numa dessas reservas de avião que bloqueei num dos passos da reserva online. Além dos meus dados pessoais, a companhia aérea pedia-me o contacto de alguém para “caso de emergência”. Pensei para os meus botões: ora bem, um caso de emergência relacionado com um voo, em que não me possam contactar a mim directamente… obviamente que é um acidente! Portanto, tenho de decidir neste momento quem quero que seja o primeiro a ser informado das más notícias!

E dei por mim a pensar: mas agora tenho de escolher quem será informado da minha morte? E em vez de respostas, o meu pensamento deu-me mais perguntas: mas vão telefonar e falar em francês, flamengo, inglês? Espero que haja alguém que fale português! É que vão-se ver gregos até alguém perceber as más notícias… Vão disponibilizar um psicólogo, pronto a falar ao telefone em português? É melhor dar este contacto, porque aquele outro nunca está atento ao telemóvel e depois fartam-se de ligar e ninguém atende… Se calhar forneço o contacto de um amigo, para o choque não ser tão grande – e assim esse amigo é que comunica posteriormente com a família… Enfim, todo o género de dilema me atravessou a mente naqueles instantes!
Nao tenho medo de voar e o meu pensamento quando há mais turbulência, mau tempo ou aterragens falhadas é sempre “Não podes fazer nada, por isso deixa-te ir. Se acontecer alguma coisa, ao menos é depressa!”. No entanto, senti mais apreensão ao preencher estas informações sobre o “contacto de emergência” do que alguma vez senti a voar!

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