Opinião: Um abraço e felicidades!
Enquanto o Castelo de cartas se desmorona em negócios de interesses, passou por cá esta semana um governante do executivo socialista de António Costa. A comunidade portuguesa e luso-descendente na África do Sul, a maior economia africana e um dos maiores produtores de minério do Mundo, encontra-se dispersa por todo este país com 60,6 milhões de habitantes, nomeadamente em áreas metropolitanas de maior dimensão como Joanesburgo, Durban e Cidade do Cabo.
Estima-se que a participação das empresas da comunidade portuguesa no PIB da economia da África do Sul seja significativa, em resultado das atividades que desempenham em áreas muito diversificadas como o sector agrícola, a área de comércio a retalho, indústria, construção civil, hotelaria e restauração. Na província do Western Cape, sul do país, destacam-se ainda os sectores da pesca, da indústria de transformação de pescado e da reparação naval. As segundas e terceiras gerações distinguem-se também em profissões altamente qualificadas.
Nesse sentido, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Paulo Cafôfo, defendeu uma “forte valorização” da comunidade portuguesa neste país, para “afirmar” Portugal na maior economia africana. Para quem desconhece estas visitas de “faz de conta” dos nossos governantes à diáspora, que mais parecem uma digressão de “angariação de fundos”, o que o governante quis dizer é que a perspetiva de Lisboa é “captar” o grande capital dos luso-sul-africanos “que podem investir no nosso país” e aumentar as receitas consulares. Quanto ao resto: integrem-se com um forte abraço e felicidades!
Ao contrário da Espanha, da França ou da Alemanha, por exemplo, que há muito investem milhares de milhões de euros com tecnologia, ciência e na criação de postos de trabalho, a internacionalização das empresas portuguesas para a África do Sul é feita por um punhado de marcas com fundos comunitários da UE, aos quais é vedado o acesso às suas congéneres luso-sul-africanas, com quem competem, em vez de as potenciarem para o futuro.
E aqui está também outro imbróglio porque a comunidade portuguesa na África do Sul quer é ver Lisboa a dialogar com Pretória, em vez de lhes irem ao “bolso”, para que possam participar nos grandes projetos industriais e ter apoio para enfrentarem a crescente violência e desigualdade no país.
“Os apoios de Portugal são praticamente inexistentes e queremos que reconheçam que somos também cidadãos e que temos por aqui ficado abandonados e esquecidos por muito tempo”, apontou o empresário José Contente, dirigente da União Portuguesa, em Joanesburgo, e uma das mais antigas coletividades na África do Sul.
Além das remessas dos imigrantes, de Janeiro deste ano a Julho os postos consulares (Joanesburgo, Cidade do Cabo e Pretória) realizaram cerca de 21 mil atos consulares, o que significa um bom “negócio” também para Lisboa numa das suas maiores comunidades imigrantes na diáspora – cerca de 700 mil pessoas segundo dados oficiais divulgados recentemente pelo Ministério das Relações Internacionais e Cooperação da África do Sul -, e onde, em termos de apoios sociais, Portugal apenas concedeu cerca de 50 apoios desde 2017 aos seus compatriotas.


