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Opinião: Uma odisseia de duas décadas a orbitar Marte

17 de às 13h24
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Mars Odyssey, baptizada em honra do livro “2001: A Space Odyssey” de Arthur C. Clarke, completou a 24 de Outubro 21 anos em órbita do planeta Marte. A sonda detém o recorde da sonda há mais tempo em órbita de um planeta do sistema solar que não a Terra. Lançada a 7 de Abril de 2001, a Odyssey tem tido um papel fundamental no estudo do planeta vermelho, das suas luas, e até do universo mais distante. A órbita da Odyssey, chamada heliosíncrona, é semelhante às dos satélites da ESA de observação da Terra. Trata-se de uma trajectória “norte-sul”, que passa pelos pólos do planeta e cruza o equador na perpendicular. Um aspecto importante da órbita é que a mesma assenta num plano que gira, mantendo alinhamento com o Sol à medida que Marte avança. Isto garante que cada região é observada á mesma hora solar, o que permite comparar directamente imagens tiradas ao longo do tempo.
Ao longo de mais de duas décadas, a sonda recordista teve várias contribuições valiosas, incluindo um dos primeiros mapas globais de Marte, a descoberta que o planeta retém muita água sob a forma de gelo no subsolo, o auxílio a outras missões, e o estudo das duas luas, Phobos e Deimos.
O mapa produzido pelo detector de radiação térmica THEMIS, que inclui mais de um milhão de imagens, permitiu determinar locais seguros para a aterragem de sondas e rovers que evitam, por exemplo, zonas de declive elevado ou com rochas de grande dimensão. O mesmo instrumento também mediu a taxa de aquecimento e arrefecimento do planeta que permite distinguir diferentes tamanhos de partículas à superfície, desde poeira fina a rochas de dimensão considerável.
De grande interesse foi a descoberta em 2004 de grandes quantidades de gelo de água no subsolo de Marte, principalmente em latitudes acima dos 50º. O detector de raios gama GRS é sensível à presença de hidrogénio, cuja abundância pode ser traduzida em quantidade de . Considerando apenas o subsolo próximo (até um metro de profundidade), existe gelo suficiente para cobrir o planeta com um oceano com cerca de 14 cm de profundidade. Estás inferências foram confirmadas em 2008 por medições à superfície da sonda Phoenix.
A Odyssey teve ainda um papel importante no sucesso de outras missões da NASA, “preparando terreno” e auxiliando nas telecomunicações Marte-Terra.
Cerca de 85% dos dados recolhidos desde 2005 pelos rovers Spirit e Opportunity foram retransmitidos para a Terra pela Odyssey, que também efectuou medições atmosféricas em antecipação da chegada em 2006 da Mars Reconnaissance Orbiter, e contribuiu para a escolha do local de aterragem da sonda Phoenix em 2008.
Mais recentemente, a sonda multi-facetada recolheu imagens de Phobos (em 2017 ) e Deimos (em 2018 ),
as duas pequenas luas de Marte. Mais do que interesse científico, estas observações permitiram testar manobras para as quais a Odyssey não foi preparada, e que só foram possíveis graças a novos algoritmos enviados para a sonda.

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