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Opinião: Dormir na rua no inv/ferno

17 de às 13h28
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Quando via gente a dormir nas ruas de Bruxelas, sabia que eram pessoas que não aceitavam as condições dos centros de acolhimento, que tinham tomado a opção de viver na rua. Assim era quando aqui cheguei, há mais de uma dezena de anos. Nos centros de acolhimento há regras rígidas a cumprir, relacionadas com a ordem, o respeito e o consumo de droga e álcool – quem não acata não pode ficar.
Mas agora o caso mudou. Com as sucessivas crises humanitárias no mundo dos últimos anos, estamos chegados a uma verdadeira situação de catástrofe humanitária, um “caos migratório”. Não há mais espaço nos centros de acolhimento para os refugiados na capital da Bélgica. A saturação dura há mais de um ano mas está a atingir dimensões inéditas, nomeadamente no que respeita a situações mais urgentes.
Há neste momento cerca de 2300 requerentes de asilo que não têm outra solução senão dormir nas ruas de Bruxelas. As condições de higiene precárias favorecem também o regresso de doenças como a sarna e a difteria.
O órgão federal encarregue de encontrar soluções de alojamento enquanto decorrem os procedimentos administrativos de pedido de asilo não tem soluções para alojar mais pessoas, depois de já ter recorrido a outros organismos, ONGs e mesmo hotéis financiados pela cidade, especialmente no caso urgente de menores não acompanhados ou de mulheres sozinhas.
Os restantes encontram-se perto dos centros de acolhimento, num cenário de cartões, caixotes e tendas e tudo o que possa trazer algum conforto, numa altura em que os termómetros já se aproximam dos zero graus à noite. Várias são as associações de apoio aos migrantes que prestam apoio neste âmbito, nomeadamente fornecendo refeições, água e cobertores. Mas não conseguem fazer mais, num país que recebe um número desproporcionado de requerentes de asilo em relação aos outros estados-membros. Os voluntários, advogados e ONGs apontam o dedo ao Governo, pedindo mais instalações, mais recursos e ajuda, para que a solução seja resolvida antes das implacáveis temperaturas negativas trazidas pelo inverno.

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