Geralopiniao

Opinião: A gestão política

17 de às 12h10
0 comentário(s)

Um gestor é um tipo formado em Universidades e cursou alguns anos para a competência que envolve análise, percepção de dados, noção de indicadores, conhecimento das áreas de liderança, e deve projectar confiança, clareza, coerência, cumprimento da palavra, competência, coragem (os Cs de gestão de José Maria Gasalla). Uma liderança de uma estrutura enorme carece de um gestor com créditos dados, um gestor de riqueza própria, de riqueza alheia mas com cartas de recomendação, sem inúmeros insucessos de trás. Estas verdades não se aplicam aos dependentes da política que podem chegar a lugares de gestão elevada sem curriculum, sem experiência e sem créditos de uma vida empresarial intocável.
Conhecem algum director hospitalar que tenha ido gerir um Banco? A sony, a IBM, a amazon contrataram algum gestor português com carreira nos CHUC ou em Sta. Maria? Conhecem algum fantástico gestor da Escola Nacional de Saúde Pública que tenha sido escolhido para uma grande empresa privada de gestão internacional? As empresas que geram milhões sustentam milhares de famílias, condicionam inúmeras ocorrências financeiras, escolhem experiência, e por isso, roubam os jogadores como se faz no futebol. Há indemnizações, há contratos com cláusulas de rescisão. No CHUC, se o Presidente levar para casa seis mil euros limpos ficaria eu de boca aberta. No entanto, este sacrificado gere mais de 750 milhões de euros, mas emparedado pelos ditames de políticos de carreira, onde as escolhas dos protagonistas estão condicionadas pelos camaradas, onde as decisões esbarram com o conforto dos sindicalistas, a oposição corporativa. É por tudo isto que o Estado decidiu mal em juntar ou anexar o Rovisco Pais e Cantanhede ao CHUC. No CHUC o Presidente do Conselho não pode demitir directores que são simultaneamente directores de concorrência a cinco km de distância, malgrado a lei. O Presidente não pode escolher a Enfermeira directora que forçosamente será uma camarada, ou o director clínico que seja bom ou mau é nomeado pelo partido do poder. O próprio presidente é escolhido pela solidariedade política. Não se gerem milhões sem capacidade de decisão, sem delegação de competências, e equipas de confiança.
Esta fusão é mais um disparate de consequências severas na saúde da região centro. O Rovisco Pais foi destruído pelas decisões do Estado que agora o quer colocar no orçamento do CHUC. Escolheram para dirigir a instituição sequências inenarráveis de gente pequenina e medíocre que elevou a conflitualidade ao desespero, que permitiu salários milionários onde o trabalho era cada dia menor, que nunca verificaram cumprimento de horários, que nunca teve exigências pela produtividade sendo óbvio que falta de clientes não há, nem nunca houve. Cantanhede devia estar na opção dos hospitais de Anadia (HJLC) e Mealhada, com contratos de Consulta a Tempo e Horas (CTH) que reduzem listas de espera, aumentam soluções para os doentes com a qualidade aferida pela ACSS. Cantanhede devia ter uma resposta médico-cirúrgica de Urgência como sempre teve. Ao fechar aumenta o fluxo para o CHUC e acarreta mais constrangimento. O Rovisco Pais é um brinco pensado e concebido por Bissaia Barreto e depois por Santana Maia e um lugar de encanto onde se podia fazer saúde com elevação e com altíssimos níveis de qualidade, saúde num patamar de excelência, sem pijamas, com passeios na rua, com caminhadas nos jardins, mas a opção foi esvaziar, destruir, e agora é colocar nas mãos do Belzebu.
O CHUC tem necessidade de se re-estruturar, fazer face ao desgoverno dentro e não precisa de mais estruturas. Os gestores do CHUC não visitam os lugares que supostamente comandam, não são conhecidos pelos trabalhadores, não ousam conversar com os protagonistas, praticam a linguagem das mensagens por vez da presença. Espera-nos mais desesperança, mais pobreza na resposta.

Autoria de:

Deixe o seu Comentário

O seu email não vai ser publicado. Os requisitos obrigatórios estão identificados com (*).


Geral

opiniao